Categorias


Cadastro rápido

Receba nosso conteúdo por
e-mail

Tudo sobre o câncer

 
Mais Tipos de câncer

Curta nossa página

Financiadores

Roche Novartis Varian Bristol MerckSerono Amgen Pfizer AstraZeneca Bayer Janssen MSD Mundipharma Takeda Astellas UICC GBT Abbvie Ipsen Sanofi Grunenthal Daiichi Sankyo


  • tamanho da letra
  • A-
  • A+

Detecção precoce do câncer de pulmão: pacientes de alto risco devem fazer tomografia de rastreamento

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 15/05/2013 - Data de atualização: 15/05/2013


Um importante artigo sobre a possibilidade de salvar vidas através da detecção precoce do câncer de pulmão com tomografia computadorizada foi publicado recentemente na versão eletrônica da revista New England Journal of Medicine, de 29 de junho deste ano. Intitulado "Reduced mortality with low-dose computer tomography screening” (Diminuição da  mortalidade por câncer de pulmão através do rastreamento com tomografia de baixa dosagem), o artigo foi escrito com base num estudo denominado de NLCST.

Entre 2002 e 2004, foram selecionados 53.454 pacientes com alto risco de desenvolver câncer de pulmão, em 33 centros médicos nos EUA. Eram considerados para o estudo pacientes que tivessem entre 55 e 74 anos de idade e classificados como tendo risco elevado de desenvolver câncer se tivessem fumado por pelo menos 30 anos-maço (número de maços ao dia multiplicado pelo número de anos resultando em >30). Pacientes podiam ter parado de fumar até 15 anos antes do estudo.

Do total selecionado, metade foi sorteada para fazer apenas radiografia de tórax (Raio-X) e a outra metade tomografia de tórax de baixa dosagem de radiação (TC). Em ambos os grupos os exames eram repetidos anualmente por três anos consecutivos. A tomografia de baixa dosagem de radiação tem o intuito de evitar exposição excessiva à radiação, que poderia ser prejudicial para a saúde. Estes exames foram realizados com o intuito de detectar precocemente algum câncer de pulmão que ainda não se tivesse manifestado clinicamente. Um diagnóstico precoce permitiria tratamento precoce, e consequentemente maior chance de cura.

Achados suspeitos, tanto em Raio-X quanto na TC, eram encaminhados para investigação adicional e tratamento no caso de diagnóstico subseqüente de câncer. Desta maneira, ao longo de alguns anos, seria possível determinar quantas pessoas morriam por câncer de pulmão no grupo que fazia TC e quantas no grupo do Raio-X. Uma menor mortalidade em um dos grupos poderia indicar que aquela estratégia de prevenção era a mais eficiente.

O caderno Bem Estar conversou sobre o assunto com o oncologista clínico, Dr. Rafael Kaliks, diretor médico do Instituto Oncoguia. Confira a seguir:

Bem Estar - Qual a importância de um estudo como esse para a sociedade? 

Rafael Kaliks - Este estudo mostra, pela primeira vez e de maneira muito clara, que para uma população de alto risco (em função da história de tabagismo), podemos salvar vidas se fizermos tomografias de rastreamento.  Até agora, simplesmente ficávamos esperando estas pessoas terem algum sintoma sugestivo de câncer para investigar, e nesse momento pouquíssimos pacientes eram curados. Por outro lado, este rastreamento é caro, com implicação social importante.
 
Bem Estar - O diagnóstico precoce é mesmo o melhor em casos de câncer? Como alertar a população para a detecção o mais cedo possível?

Rafael Kaliks - O diagnóstico precoce é, hoje, a melhor maneira de garantir uma alta taxa de cura para o câncer. Melhor que diagnóstico precoce, só se fosse prevenção (evitar que ele ocorra para começo de conversa). Existe, sim, prevenção, como nunca fumar, não beber mais que pequenas quantidades, ter prática sexual segura, evitar obesidade, manter atividade física e não usar reposição hormonal na menopausa.

Bem Estar - Como funciona o rastreamento através da tomografia?

Rafael Kaliks - Pessoas na população que tiverem fumado muito (>15 anos), e que tiverem mais de 55 anos, serão candidatas a fazer uma tomografia chamada de baixa dosagem de radiação, anualmente. Esta tomografia possivelmente detectará nódulos ou alterações suspeitas, que serão então investigadas com biópsia. Apenas uma minoria destas realmente serão cânceres, mas, se a tomografia não tivesse sido feita, estes cânceres somente seriam diagnosticados quando fossem grandes o suficiente para causarem sintomas. Nesse caso seriam provavelmente incuráveis.

Bem Estar - Quando esse tipo de exame será indicado?

Rafael Kaliks - De acordo com o estudo, para grandes fumantes. Costumamos multiplicar o número de maços fumados ao dia (digamos 1,5 maço/dia) pelo número de anos que a pessoa fumou (digamos 20 anos). Neste caso, dizemos que a pessoa fumou 1,5 x 20 = 30 anos/maço. Provavelmente 15 anos/ maço já é suficiente para considerar uma pessoa como tendo alto risco, mas o estudo incluiu apenas quem tinha ao menos 30 anos/maço de tabagismo.

Bem Estar - O senhor acredita que daqui a alguns anos os índices de mortalidade pela doença serão mais baixos por isso?

Rafael Kaliks - Acredito que as mortes por cânceres relacionados ao tabaco (câncer de pulmão, de bexiga, de traquéia, de esôfago, de pâncreas, entre outros) irão, sim, cair, muito mais porque o tabagismo em nosso país está diminuindo do que por uma estratégia de rastreamento. Campanhas maciças antitabagismo salvarão muito mais vidas que qualquer rastreamento para detecção precoce. Seguimos com 20 anos de atraso o que ocorre nos EUA, em vários aspectos. Lá, a mortalidade vem caindo, não graças à tomografia de rastreamento (que não está indicada nem lá nem em qualquer outro país, a nível populacional), mas sim pela diminuição do tabagismo. Agora, do ponto de vista de um indivíduo que já fumou, acredito sim que fazer o rastreamento proporcione uma chance de diagnóstico precoce e isto, segundo o estudo, salva vidas.

Resultados

O resultado deste estudo sugere fortemente que para um grupo de pacientes de alto risco por conta de tabagismo, rastreamento com tomografia de baixa dosagem pode prevenir mortes, por permitir diagnóstico precoce e possibilitar um tratamento mais precoce e possivelmente curativo nestes pacientes. O grande problema na aplicabilidade destes resultados é o custo, bem como a disponibilidade limitada de recursos (técnicos e financeiros) para aplicar rastreamento tomográfico a nível populacional. Nenhum país tem condições de arcar com rastreamento anual de todos os fumantes, e vale lembrar que comparado a fazer radiografias simples, seriam necessárias 320 tomografias para salvar uma vida que não teria sido salva graças ao rastreamento com radiografia. Com base neste estudo, faz sentido solicitar, a nível individual, que pacientes de alto risco façam tomografia de rastreamento. Não fica claro por quanto tempo deverá continuar este rastreamento, nem a periodicidade após estes três anos iniciais.

Fonte: Jornal da Cidade (Aracajú) 

Data da publicação: 17/07/2011 


Este conteúdo ajudou você?

Sim Não


A informação contida neste portal está disponível com objetivo estritamente educacional. Em hipótese alguma pretende substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas. O acesso a Informação é um direito seu: Fique informado.

O conteúdo editorial do Portal Oncoguia não apresenta nenhuma relação comercial com os patrocinadores do Portal, assim como com a publicidade veiculada no site.

© 2003 - 2022 Instituto Oncoguia . Todos direitos reservados
Desenvolvido por Lookmysite Interactive