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De paciente à acompanhante: Como (também) sobreviver?

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 30/06/2016 - Data de atualização: 30/06/2016


 

Eu sei, talvez só título já assuste um pouquinho...
A ideia inicial era escrever um pouco sobre todo meu processo com o diagnóstico, vocês lembram? Mas existem alguns processos dentro do universo oncológico que considero importantes e que gostaria de mencioná-los por aqui, se me permitem: O primeiro é a sensação de ser um paciente, que é mais como um passeio constante em uma grande montanha russa emocional repleta de perdas e ganhos. Depois – e definitivamente não menos importante - vem a dualidade de forças quando você também se descobre um acompanhante nessa jornada.

Essa moça bonita na foto ao lado é minha mãe, Célia. Nesta foto, celebrávamos meu primeiro aniversário pós diagnóstico de câncer. E como a gente celebra esses momentos, não é mesmo? O que ninguém sabia é que ela também me faria companhia dentro do mesmo universo oncológico.

Uma grande amiga de diagnóstico sugeriu no facebook que escrevesse sobre isso. Sua sogra faleceu recentemente, diagnosticada com o mesmo tipo de câncer que ela. É um tema delicado, mas confesso que me sinto segura para escrevê-lo, já que dois anos após o recebimento do meu diagnóstico descobrimos que minha mãe também entraria para as estatísticas e considerando que também já "perdi” algumas amigas que conviviam dentro dessa mesma rotina oncológica.

O câncer da minha mãe, graças a detecção precoce, foi bem menos agressivo que o meu, com exceção à algumas cirurgias e aspectos emocionais que considero mais agressivos (ela retirou as duas mamas, útero, ovários e trompas). Parece meio absurdo, mas tentarei explicar porque acredito que ser paciente, nessas horas, é uma situação um tanto quanto mais "segura”. Quando minha ficha caiu e realmente vi que minha mãe me faria companhia, minha primeira reação foi a de achar que tudo o que havia vivido - e principalmente sentido e agradecido - era na verdade uma grande mentira vivida e alimentada dentro da minha cabeça. Quando se é paciente, a gente sabe que na verdade não existe outro caminho a percorrer que não seja o da sobrevivência. E é por esse motivo que não me sinto nada heroína ou guerreira: Eu não tive escolha.... Era lutar ou morrer.

Mas ser acompanhante é diferente, totalmente diferente! Conviver com alguém diagnosticado lhe trás junto ao pacote uma das maiores sensações de impotência do mundo. Ainda mais no combo: paciente + acompanhante. Esse é de tirar o fôlego! Você reconhece algumas dores e cicatrizes, por vezes chora o mesmo choro, se vê sentindo os mesmos medos e mesmo assim não consegue oferecer nada muito além da sua companhia e – poucas vezes - testemunho. Aí é que coisa meio que complica. Quando se é acompanhante, a gente não sabe muito bem como prosseguir. Isso independe da gente.

Hoje, apenas um pouco mais amadurecida com essa ideia, abro meu coração e conto que quando recebemos a notícia de que minha mãe também tinha câncer, eu (com toda minha curta bagagem cirúrgica, quimioterápica e radioterápica) não consegui encarar toda aquela situação da melhor maneira. Não sabia o que lhe dizer, o que sentir, como proceder... E enquanto me deparava com todas aquelas sensações e medos, sentia naquele mesmo instante nossas historias se fundirem lenta, profunda e completamente junto a cada palavra dita, cada sensação e reação vindas dela.

O tempo ajudou? Sim, mas as vezes até hoje, quando a vejo sofrendo, preciso dos meus momentos de introspecção para realmente aceitar que algumas situações aqui neste grande planeta não precisam de uma explicação concreta, além desse reconhecimento de aproveitarmos cada nova oportunidade para testarmos a nossa fé dentro da mais profunda situação abalável.

A verdade de um acompanhante? Ele sente muito medo! Eu tive medo pela minha mãe. Medo de não vê-la em meu casamento, de não cumprirmos juntas a nossa promessa de plantarmos uma pequena mangueira que servirá futuramente de balanço para seus também futuros netos em nosso sítio. Tive medo de nunca mais conseguir olhar aquele sorriso com dentes tão milimetricamente certinhos, de esquecer com o tempo o calor que só o colo dela tem. Medo de perdê-la para o diagnostico... Medo de também me enxergar dentro daquele diagnostico.

E se você desconhece os sentimentos descobertos junto ao câncer, preciso revelar neste exato momento um dos grandes segredos de um paciente oncológico. Muitas vezes, quando perdemos alguém também diagnosticado, sentimos inicialmente a dor da saudade. Mas após isso, nos deparamos também e bem rapidamente com um dos sentimentos mais naturais desse mundo: o de sentir um misto de culpa com um enorme frio na barriga ao se deparar perguntando "O que diabos realmente acontecerá com a minha vida?”.

Conversas duras a parte, reconhecer o medo da morte também nos mostra o valor contido dentro da existência de cada segundo vivido. Um dia, inevitalmente, iremos embora. Que a gente saiba reconhecer através dos nossos medos uma nova e diária oportunidade de renascimento. E isso, exatamente isso, nos coloca em um mesmo patamar entre o universo dos pacientes e dos acompanhantes.

Até breve, futuros ex-pacientes.
Evelin

 



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