O que fazer quando o tratamento já não corresponde às expectativas de cura? Desistir e esperar que a morte chegue o mais breve possível? Como agir diante da frase: "Sinto muito, mas não há mais nada o que fazer”. Será? Engana-se quem pensa dessa forma. Ainda há o que fazer principalmente no que diz respeito à qualidade de vida e bem-estar desse paciente.
Durante o tratamento do câncer, o paciente pode apresentar uma gama de sinais e sintomas de ordem física e emocional que, na maioria dos casos, ajudam a determinar a evolução da doença. Essas sensações muitas vezes ocasionam uma piora significativa na qualidade de vida, bem-estar e na resposta ao tratamento deste paciente.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define Cuidados Paliativos como sendo uma abordagem que objetiva a melhoria na qualidade de vida do paciente e seus familiares diante de uma doença que ameaça a vida. Pacientes com doenças avançadas apresentam cerca de 90% de chances de sentirem algum tipo de dor. Diante disso é imprescindível a introdução de terapias paliativas que promovam a qualidade de vida e o bem-estar do paciente, respeitando seus limites.
Para alcançar tais objetivos, torna-se evidente a necessidade de uma abordagem multidisciplinar do paciente por meio da atuação ativa e efetiva de médicos, enfermeiras, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, fisioterapeutas, representantes espirituais e voluntários. A abordagem correta da dor no tratamento paliativo proporciona alívio e controle da mesma em cerca de 90% dos pacientes oncológicos.
Para os profissionais da Casa do Cuidar, uma organização sem fins lucrativos, criada com a finalidade de promover bem-estar e qualidade de vida para pacientes portadores de doenças graves fora de possibilidade de cura, o tratamento paliativo faz parte de suas rotinas diárias, seja cuidando de pacientes ou promovendo cursos de capacitação aos profissionais de saúde a fim de que a dor e outros sintomas de sofrimento relacionados ao fim da vida sejam tratados de maneira adequada e satisfatória.
"A formação do profissional de saúde, seja médico, psicólogo, enfermeiro, ou qualquer outro profissional relacionado à atenção e cuidado ao outro, não contempla o olhar sobre o ser humano que cuidaremos” exemplifica Dra. Ana Cláudia, médica geriatra e fundadora da Casa do Cuidar. "Dessa forma, os cuidados paliativos dão todo sentido a escolha do profissional pela área da saúde, já que cuidam de maneira integral e humana todas as necessidades físicas e psicológicas do paciente” finaliza.
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