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Covid-19 e câncer: mortalidade será maior nos próximos anos?

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 23/07/2020 - Data de atualização: 23/07/2020


O Dr. Norman E. Sharpless Diretor do National Cancer Institute em Bethesda, EUA (norman.sharpless@nih.gov) escreveu na Science um importantíssimo editorial sobre o possível impacto nos próximos anos da pandemia do Covid-19 nos pacientes oncológicos, com foco nos novos (e futuros diagnósticos de câncer!). Com a pandemia se tornando verdadeiramente global, países inteiros e muitos estados americanos tiveram de instituir lockdowns ou políticas de distanciamento mais ou menos severas, mais ou menos duradouras mundo à fora. Evidentemente a pandemia não acabou, as decisões neste sentido têm sido extremamente difíceis com benefícios evidentes em termos de saúde pública no que diz respeito à disseminação do coronavírus em si. Entretanto, com um custo muito alto para todas as economias.

O medo de contrair o SARS Cov-2 nas unidades de saúde (públicas e privadas) tem afastado as pessoas de consultas e exames de rastreamento, diagnóstico e até mesmo de tratamento de doenças não Covid. Do ponto de vista oncológico este afastamento pode ter consequências substanciais.

O que podemos fazer para amenizar este possível impacto?

Obviamente câncer não é tudo igual. É um conjunto enorme de doenças com prognósticos variados a depender muitas vezes do momento do diagnóstico e do tratamento, e em geral, quanto antes melhor o prognóstico e consequentemente as chances de cura ou de controle.

Nos EUA, em outros países, e até mesmo no Brasil já se documenta (ou documentou) uma redução no número de casos novos de câncer diagnosticados, notadamente de março de 2020 para cá. Sendo que não há razão biológica para imaginar uma real diminuição do número de casos durante a pandemia, imagina-se então que esses casos vão “emergir” (e já estamos vendo isso na prática) eventualmente em estágios mais avançados, o que pode comprometer, e muito, o desfecho. Durante vários meses temos adaptado os tratamentos oncológicos, reduzido o número de cirurgias. E em muitos casos o tratamento recebido pode ser subótimo ou estar sendo adiado de forma significativa, mesmo em locais onde a pandemia já não está em estágio de colapso do sistema de saúde.

Estimativas de impacto americanas

Dr. Norman e seu grupo tem procurado avaliar o impacto da pandemia de Covid-19 nos Estados Unidos. E como a imprensa tem noticiado, dezenas de estados americanos ainda estão numa fase crítica da pandemia. Levando-se em conta o impacto estimado sobre o câncer de mama e o colorretal (que juntos respondem lá por 1/6 dos óbitos), ele estima que possam haver 10 mil óbitos “em excesso” na próxima década, notadamente nos próximos 2 anos.

Contudo, ele ressalta que é uma análise conservadora, estimando um aumento de 1% na mortalidade por esses 2 importantes tipos de câncer; seriam esperadas 1 milhão de mortes neste período de 10 anos. Não são levados em consideração outros tipos de câncer e não se avalia o impacto não letal em termos de morbidade para os pacientes com diagnósticos em estágios mais avançado (cirurgias mais radicais, mais quimio, mais radio, mais imuno), e mais toxicidade financeira pelos possíveis custos adicionais pelos tratamentos para as doenças mais avançadas.

Impactos diferentes

Importante ressaltar que essa estimativa conservadora não leva em consideração diferenças regionais da pandemia. Uma vez que esses impactos podem ser mais ou menos severos em diferentes partes dos EUA (e porque não dizer do mundo, e até mesmo no Brasil), já que que a pandemia não se comporta de forma igual em todos os lugares. Ressalto ainda que não contabiliza “uma segunda onda” que pode gerar novos e severos lockdowns. E considera ainda que em até 6 meses esteja “tudo resolvido”. E se entende que isso talvez só seja verdade com a chegada universal de uma (ou mais) vacina para o SARS Cov-2. E isso pode demorar mais de 6 meses.

Ele ressalta ainda o atraso significativo em pesquisa clínica de vários tratamentos e medicamentos já que muitos laboratórios e universidades tiveram de suspender suas atividades, interromper o recrutamento de pacientes, etc. Isso pode comprometer o ritmo do avanço das pesquisas por novos tratamentos.

Não se pode ignorar

É inegável que foi prudente e absolutamente necessário adiar os cuidados médicos de várias doenças durante a pandemia. Dessa forma, expondo menos os pacientes aos riscos de contaminação pelo coronavírus. O problema, entre outros, é que a duração desses adiamentos pode cobrar um preço alto demais. Além disso, não temos com clareza a real duração da atual pandemia que segue crescendo em vários países e em vários estados brasileiros.

Não podemos ignorar os mais de 14 milhões de casos confirmados e as mais de 600 mil mortes por Covid-19 ocorridas no mundo (até 19 de Julho). Os mais de 2 milhões de brasileiros contaminados oficialmente e as mais de 80 mil mortes ocorridas em nosso país até agora. Contudo, essa atual crise sanitária pode dar lugar a outras crises de saúde pública não Covid também com impactos significativos.

Tentativas de evitar estes e outros impactos

Algumas iniciativas têm esse objetivo de conscientizar a população sobre a importância da retomada das consultas, exames preventivos, etc. Por exemplo, a campanha #ocancernaofazquarentena apoiada por várias entidades não governamentais como o Instituto Oncoguia, FEMAMA, todos juntos contra o câncer e a Pfizer. As sociedades médicas de diferentes especialidades afins estão fazendo campanhas, mas podem fazer mais neste sentido. Os Conselhos Regionais (e Federal) de Medicina também.

A Sociedade deve ser alertada para os riscos de adiarmos ad eternum as consultas e exames de rotina. O preço também pode ser alto demais.

Fonte: PEBMED

As opiniões contidas nas matérias divulgadas refletem unicamente a opinião do veículo, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte do Instituto Oncoguia.



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