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Corticoide: Herói ou Vilão?

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 25/07/2016 - Data de atualização: 25/07/2016


Depois de uma briga entre "tico” e o "teco” para concluir que corticoide se escreve sem acento e herói com acento, acredito ter chegado à melhor forma de simplificar o que os corticoides representam para nós pacientes, e esta resposta vem do título de um filme: "Meu malvado favorito”.

É bem por aí. O Portal Oncoguia qualifica os corticoides, também conhecidos por corticosteroides, como o "grupo de medicamentos relacionado com os hormônios produzidos no corpo pelas glândulas suprarrenais. Estes medicamentos inibem o sistema imunológico, de modo a serem úteis no tratamento de pacientes com determinadas doenças do sistema imunológico e de cânceres que se desenvolvem a partir das células do sistema imunológico.”

O conceito empregado pelo Portal ABCMed ajuda a compreender sua importância: "A descoberta dos corticoides (...) constitui um dos maiores progressos da farmacologia moderna. Eles são sintetizados a partir do cortisol (que por sua vez deriva do colesterol), um hormônio normalmente fabricado pela glândula suprarrenal. O cortisol e seus derivados naturais cumprem importantes funções no organismo, como assimilação das proteínas, hidratos de carbono, açúcar, gorduras e minerais, além de terem ações anti-inflamatórias e imunossupressoras e exercerem estimulação cerebral. Quando, por qualquer razão, não são naturalmente providos pelo organismo nas quantidades necessárias, devem ser supridos artificialmente”.

No "brasileirês”, e para facilitar a compreensão, os corticoides agem para controlar o  metabolismo dos carboidratos, gordura e proteínas, são anti-inflamatórios e regulam nosso balanço electrolítico (que nada mais é que o equilíbrio de íons e água).

Bingo! Então os corticoides, pelas primeiras informações, são realmente super-heróis, que são chamados para salvar pacientes de centenas de tipos de doenças agudas e crônicas por todo o mundo.

Mas aqui cabe o velho chavão popular, plenamente aplicável ao uso dos corticoides: "Tudo em excesso faz mal”. É a partir daí, e do que conhecemos como efeitos colaterais, que os nossos amigos passam a cumular o papel dos dois protagonistas da trama: herói e vilão.

Importante lembrar que muitas doenças exigem o uso continuado do corticoide em altas doses por longos períodos – em alguns casos em caráter permanente, sobretudo em doenças crônicas. Essa informação é essencial, pois muitas vezes os médicos, por mais que conheçam os seus efeitos colaterais, não podem dispensar ou simplesmente reduzir o uso da medicação.

Vamos aos 10 (dez) principais:

  • Pressão Alta
  • Hiperglicemia (aumento dos níveis de glicose no sangue)
  • Catarata
  • Osteonecrose
  • Psicopatias / Distúrbios do humor
  • Insuficiência da glândula suprarrenal
  • Síndrome de Cushing
  • Osteosporose
  • Trombose
  • Úlceras

Às vezes eu me considero uma pessoa sem muita criatividade, pois acabo escrevendo apenas sobre aquilo que já passei ou conheço de perto.  Vejam por exemplo os últimos posts, onde falei sobre infertilidade e H1N1 justamente por estar vivendo aquelas situações. Por outro lado, isso ajuda para que vocês leitores possam receber uma perspectiva mais fidedigna do problema, a partir da visão do paciente.

Com os corticoides não seria diferente. Já fui contemplado com os 5 primeiros desses efeitos, como aumento de pressão, aumento da glicose, início de catatara no olho esquerdo, e agora a novidade: a osteonecrose, no meu caso manifestada na cabeça do fêmur.

Esse "negocinho” de nome feio, segundo o www.QuadrilCirurgia.com.br "fragiliza a cabeça femoral, a qual sofre microfraturas e geralmente deforma de maneira progressiva. Corticoides orais e injetáveis têm sido associados a necrose da cabeça femoral. Estas medicações causam microêmbolos de gordura que obstruem as artérias ósseas. Além disso, provocam obstrução do fluxo venoso, aumentando a pressão intra-óssea. Os pacientes em uso crônico de corticóide estão em maior risco. Apesar disso, o uso de altas doses por pequenos períodos também podem causar necrose da cabeça femoral. Deste modo, o risco depende tanto do tempo de exposição quanto da dose utilizada.”

O tratamento pode ser ou não ser cirúrgico com a implantação de próteses. Para esse mesmo site especializado, "A maioria dos casos de necrose extensa da cabeça femoral resulta em destruição da articulação em três a cinco anos.  De maneira geral podemos classificar o tratamento em não cirúrgico, cirúrgico com preservação do quadril e cirúrgico com artroplastia (prótese do quadril). A decisão da melhor alternativa dependerá da análise dos fatores previamente citados e muitas vezes pode ser necessário trocar a modalidade de tratamento, por exemplo do tratamento não cirúrgico para cirúrgico.”

Ainda vou saber qual será a linha de condução do meu caso, mas tenho a convicção de que foi graças ao uso de corticoide que venci o diagnóstico da leucemia, e a manutenção do seu uso continuará sendo fundamental para garantir o resultado positivo, ainda que para isso deixe algumas coisinhas desorganizadas para trás.

Costumo brincar que o organismo do paciente submetido a um transplante de medula, muito por conta dos corticoides em altas doses, funciona como uma "Brasília véia”, você arruma o freio, desorganiza o câmbio. Arruma o câmbio, desorganiza o motor. Arruma o motor, desarruma o freio de novo. E como diria Milton Leite, "segue o jogo”. Afinal, isso tudo é mínimo e totalmente contornável se comparado à gravidade das doenças que justificam a utilização dos corticoides. Nesse caso, os fins justificam os meios.

Em síntese é isso pessoal. O Meu Malvado Favorito da vez e ganhador do Oscar de Melhor Herói e Vilão é o Sr. Corticoide, muito bom pra organizar algumas coisas, mas exímio em desorganizar outras. Conheço muitas pessoas assim, inclusive a que está escrevendo este artigo.

Ah, não sei se repararam, mais falei que tinha os 5 primeiros efeitos colaterais. E só falei sobre os 4 primeiros. É porque tenho usado a parte das "psicopatias/distúrbios de humor” para justificar as briguinhas lá em casa com a Dona Patroa. Não contem para ela, ok?

E para finalizar, um recado: você que usa corticoide, em altas ou baixas doses, não tenha dúvidas de que esse medicamento faz parte de todo o nosso processo de cura, e que devemos diariamente agradecer aos médicos, cientistas e a Deus por sua existência. Aliás, esperamos da ciência – e de Deus, se tiver um tempinho lá em cima – a evolução da medicação para reduzir esses indesejáveis efeitos, como a da retenção de líquidos. Essa evolução merece algumas imagens! #medo hahaha


Até a próxima pessoal! Parceria #salvemaisum #transplantando.org #oncoguia
Gabriel Massote



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