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Como as redes sociais ajudaram uma influencer a vencer o câncer

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 13/01/2020 - Data de atualização: 13/01/2020


Frequentemente associadas ao aumento de casos de depressão, ansiedade e transtornos alimentares, as redes sociais também podem ser espaços de ajuda mútua para pessoas que enfrentam alguma adversidade. Para a influenciadora digital Micheline Ramalho, por exemplo, foram essenciais no processo de superação de um câncer de colo de útero, diagnosticado em 2017, já em estado avançado.

A doença é a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. Uma condição que, de tão grave, motivou órgãos públicos e instituições a promoverem o Janeiro Verde, campanha nacional realizada neste mês para conscientizar sobre a importância da prevenção.

Causada pela infecção persistente de alguns tipos do Papilomavírus Humano (HPV), a doença atinge principalmente mulheres jovens de 25 a 50 anos de idade, e não possui sintomas ou dores em seu estágio inicial. Micheline só percebeu que algo estava errado quando os primeiros sangramentos apareceram.

Na época com 31 anos, ela vivia uma rotina agitada: cumpria expediente como servidora pública e começava a receber os primeiros louros pelo trabalho como influenciadora digital.

“Um ano antes, tinha ganhado um concurso de melhor blog de maquiagem com dicas para a pele negra do Brasil. Era meu momento”, lembra.

“Ia para a quimioterapia maquiada”

Em meio a expectativas profissionais promissoras, a notícia do oncologista veio como um banho de água fria. “Achei que aquilo seria a minha morte. Infelizmente, é assim que muita gente vê o câncer. Comigo, não foi diferente. Demorei meses para ter coragem de contar para meus seguidores”, relata.

A decisão de expor o diagnóstico foi um marco na vida de Micheline, que encontrou na internet uma forma de manter a autoestima e ajudar pessoas em situação semelhante. “Continuei fazendo meus vídeos de maquiagens e mostrando meu dia a dia de influencer, mas passei a compartilhar também a rotina de tratamento”.

“Ia para o hospital toda maquiada, colocava até cílios postiços. Muita gente me dizia que nem parecia que eu estava com câncer. Foi aí que percebi que de fato havia um preconceito, que as pessoas achavam que o diagnóstico era mesmo uma sentença de morte, como achei um dia. Que o paciente tinha que estar careca, com pele amarelada e fisionomia cansada. Decidi mostrar que a vida pode recomeçar”, continua.

Ao todo foram oito sessões de quimioterapia, quatro de braquiterapia e 30 sessões de radio. O tipo de medicamento administrado durante o tratamento não fez o cabelo de Micheline cair, um de seus maiores medos. Mas, em contrapartida, gerou outros efeitos colaterais graves.

Entre eles, enjoos, sensibilidade a luz e ao calor e neuropatia periférica, que causa perda gradual da sensibilidade muscular. Em virtude da condição, ela precisou do auxílio de andador para se locomover durante um ano.

Apoio
As sequelas do tratamento – Micheline não pode ficar sentada por muito tempo, nem fazer longas caminhadas – fizeram com que a jovem fosse aposentada precocemente, por invalidez. Uma notícia que, para ela, soou tão estarrecedora quanto o diagnóstico que recebera meses antes. “Foi muito forte para mim, me via jovem, cheia de vida, e inválida. Mas resolvi enfrentar e descobri que um novo ciclo estava começando.”

Durante os meses de tratamento, a troca com seguidores e demais pacientes se intensificou. “Recebia muitas mensagens me encorajando, pessoas que se inspiravam na minha história e na minha força de vontade. Eram mulheres de todo o Brasil”.

À medida que gerava mais conteúdo sobre o assunto, a brasiliense viu sua lista de seguidores aumentar. Esse apoio foi essencial para que ela atravessasse a fase difícil e pudesse, anos depois, trabalhar exclusivamente com redes sociais. “Deu certo. Venci”, resume.

Dívida
Além dos seguidores virtuais, ela contou com apoio incondicional da família e do marido, Júnior Santos. “Passei três meses internada e vi muitas mulheres casadas serem abandonadas pelo marido no hospital. Ele esteve comigo todos os dias e se desdobrava para dar apoio aos demais pacientes. Ele é um anjo na minha vida, sou uma pessoa de sorte”, declara.

O suporte que recebeu de todos os lados motivou Micheline a continuar ajudando mulheres com a doença, mesmo após ter sido curada, há dois anos.

“Administro grupos de apoio no Instagram e no Facebook. Neles, damos suporte, trocamos experiências, exercitamos a escuta. Nem sempre é fácil, já vi pessoas queridas falecerem, isso mexe com a gente. Porém, não vou deixar de fazer porque quando precisei, tive esse apoio que foi muito importante pra mim. É uma dívida.”

Seu maior objetivo é levar mensagens de esperança para pessoas que, como ela, já pensaram que não seriam capazes de vencer a doença. “Sou outra pessoa. Sei que o câncer me ajudou a valorizar pequenos momentos, estar mais próxima da minha família. Quero continuar usando meu canal para dizer às pessoas que elas precisam acreditar nelas mesmas, que essa é a maior prova de amor que podemos oferecer ao mundo”, finaliza.

Fonte: Metrópoles

As opiniões contidas nas matérias divulgadas refletem unicamente a opinião do veículo, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte do Instituto Oncoguia.



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