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Com produção de remédios parada no Brasil, pacientes com câncer podem ter tratamento prejudicado

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 22/09/2021 - Data de atualização: 22/09/2021


A ausência de parte dos insumos já é sentida por médicos, que temem que pacientes fiquem sem a atenção adequada. Dois produtos estão em falta, segundo profissionais ouvidos pela Folha. Procurado, o MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação) não se manifestou sobre o desabastecimento.

A tendência é que a suspensão da produção, que foi alertada poucos dias antes, afete já na próxima semana outros três materiais radioativos que eram fornecidos unicamente pelo Instituto, por ele ter monopólio de fabricação.

Na terça-feira (14) da semana passada, o Ipen, órgão vinculado à CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), enviou um ofício para serviços de medicina nuclear do país, informando que haveria a paralisação da produção dos radiofármacos a partir do dia 20, por causa da redução no orçamento. ​

Esses elementos químicos radioativos são essenciais para a medicina nuclear. São usados principalmente para tratamento de câncer, em sessões de radioterapia, mas também são úteis para outras enfermidades, como doenças cardiológicas e epilepsia. ​

O lutécio-177, aplicado contra tumores neuroendócrinos, e o iodo radioativo, usado contra câncer de tireoide, já passaram a não ser mais fornecidos pelo Ipen nesta semana.

Para esses dois produtos, existe a possibilidade de importação. Para isso, no entanto, é necessário entrar com pedidos de excepcionalidade junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), para liberar a compra do exterior mais rapidamente, explica Marcus Vinícius Grigolon, médico especialista em medicina nuclear do Hospital Sírio-Libanês de Brasília.

Outro problema da importação são os custos, mais elevados do que quando os medicamentos são fornecidos pelo Ipen.

Segundo Grigolon, o Ipen deixará também de fornecer o tecnécio na próxima semana. Esse elemento químico radioativo é utilizado em inúmeras cintilografias, que são exames baseados na injeção de radiofármacos no paciente para investigar áreas específicas do corpo.

O tecnécio pode ser encontrado em fornecedores do setor privado, ele diz, mas os preços, de novo, são mais altos.

George Coura, presidente da SBMN (Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear), também menciona a iniciativa privada e a importação como possibilidades para evitar o desabastecimento de tecnécio, mas, mesmo assim, ele diz, ainda haveria desfalque no fornecimento.

Coura afirma que, segundo estimativas do setor, a importação só conseguiria suprir no máximo 20% da demanda do material no país.

Estimativas da SBMN indicam que esses medicamentos são utilizados em de 1,5 milhão a 2 milhões de procedimentos, como as radioterapias, a cada ano. Por dia, se há falta desse tipo de produto, podem ficar sem acesso a atendimentos adequados de 5.000 a 10.000 pacientes brasileiros.​

Ele diz ainda que o gálio-67, utilizado para pesquisa de várias infecções, e o tálio-201, aplicado em pesquisas de viabilidade miocárdica em pacientes que já sofreram infartos, também devem ser suspensos na próxima semana.

Coura conta que a SBMN já está conversando com a Anvisa para tentar uma liberação de todos os medicamentos que o Ipen não consiga mais fornecer a fim de evitar desabastecimento.

"Nós fomos recebidos semana passada para uma conversa inicial e devemos seguir ao longo das próximas semanas para desenvolver o assunto", afirma.

Procurada pela Folha, a Anvisa informou que está ciente da paralisação na produção dos medicamentos e que "avalia quais são as medidas regulatórias necessárias para viabilizar o acesso da população a esses produtos, com a devida garantia de qualidade e segurança".

Coura também diz que, na tentativa de resolver o problema, já existem diálogos com outras áreas do governo, como o Ministério da Saúde. A pasta, segundo ele, já respondeu um ofício da SBMN para a realização de uma reunião na sexta-feira (24).

Também procurado pela Folha sobre as soluções buscadas, o ministério não deu resposta até a conclusão da reportagem.

Viver com câncer

Por causa dos custos mais altos, Grigolon diz que a substituição dos medicamentos por versões importadas, mesmo se isso for autorizado pela Anvisa, deve ficar restrita a somente uma parcela da rede privada que conseguirá arcar com esses valores.

“Se essa situação persistir por dois ou três meses, algumas clínicas devem fechar as portas”, prevê.

Na iniciativa pública, o médico avalia que os preços muito altos são proibitivos, o que, na sua visão, coloca em risco a continuidade dos atendimentos.

Além disso, ressalta, esses materiais radioativos não podem ser estocados por um longo tempo, porque cada um deles tem um período de tempo para se desintegrar em outros elementos não radioativos, perdendo assim sua função.

Por exemplo, o tecnécio perde metade da sua quantidade em somente seis horas depois de disponibilizado para utilização. Assim, o suprimento dessa rede precisa de constância.

Contatado pela Folha, o Ipen indicou que era necessário entrar em contato com o MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação), do qual o instituto faz parte.

O ministério, por sua vez, não atualizou as informações sobre o problema à Folha.

Na semana passada, o órgão informou que trabalhava com o Ministério da Economia "desde junho de 2021" para disponibilizar mais recursos para a produção dos radiofármacos e que está "conscientizando o Congresso Nacional pela votação e aprovação do PLN 16/2021, prevista para a próxima semana".

Para Grigolon, se a verba do Ipen não for liberada e a Anvisa não autorizar a importação dos insumos, essa situação, que prejudica pacientes em todo o país, não terá uma solução.

“É necessária a liberação da verba do Ipen para ele comprar os insumos radioativos, para voltar a fornecer o material. Mesmo que [o projeto de lei] passe amanhã, a situação não será normalizada na semana que vem [...]. Haverá uma defasagem de algumas semanas até a situação voltar a se normalizar”, conclui.

Fonte: Folha S.Paulo



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