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Com novos medicamentos, imunoterapia para pacientes com câncer se desenvolve no país

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 08/04/2020 - Data de atualização: 08/04/2020


RIO - O engenheiro aposentado Ivan Soares, de 72 anos, já havia sido operado para retirar um melanoma em estágio avançado, que já tinha atingido a clavícula. Seis meses depois da cirurgia, um novo exame trouxe a má notícia de que ele agora tinha metástase no pulmão.

— Fiquei apavorado. A gente sabe que melanoma metastático é gravíssimo. Foi então que eu soube da imunoterapia, que era indicada para o meu caso, e que 50% das pessoas ficavam curadas com esse tratamento — conta o aposentado.

A partir de 2017, Ivan Soares recebeu injeções de anticorpos por dois anos, três vezes por semana e, ao longo do processo, o tumor em seu pulmão havia desaparecido.

Melhora nos índices

No último congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (Esmo, na sigla em inglês), em setembro do ano passado, um estudo confirmou a estatística: a imunoterapia levou à cura de cerca de 50% dos pacientes de melanoma metastático tratados. O paciente é considerado curado depois de cinco anos sem sinais de câncer — ainda que, no caso do melanoma, possa haver recidivas até 15 anos depois.

O melanoma metastático é o que apresenta os resultados mais impressionantes com a imunoterapia, segundo Andreia Melo, chefe da divisão de pesquisa clínica do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Ela afirma que, antes do tratamento, menos de 5% dos pacientes estavam vivos cinco anos depois do diagnóstico da doença.

— Na imunoterapia, injetamos anticorpos no paciente para destravar o sistema imune de forma que ele passe a identificar e atacar as células do câncer — explica a oncologista. — O tratamento com quimioterapia clássica tem como alvo a célula tumoral. Já a imunoterapia tem como alvo nosso sistema imune. É o anticorpo injetado que vai agir nas nossas células de defesa para que elas reconheçam as células do câncer e as destruam.

Presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc), Clarissa Mathias afirma que a imunoterapia é dos tratamentos inovadores que mais avançam no país. Enquanto a terapia genética, por seu custo elevado, ainda é irreal para a maior parte dos pacientes, a injeção de anticorpos tem se desenvolvido rapidamente. Ano a ano, sobretudo desde 2017, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vem ampliando a aprovação de medicamentos imunoterápicos para novos tipos de câncer.

— O número de indicações neste ano já é maior do que no ano passado. Hoje já se indica imunoterapia, por exemplo, para câncer de pulmão, tumores de cabeça e pescoço e para alguns tumores gastroinstestinais, entre outros — lista Clarissa.

Apesar dos avanços no tratamento, Andreia Melo explica que podem surgir reações relacionadas ao destravamento do sistema imune — que, no entanto, ocorrem com frequência baixa, segundo ela.

— Nossas células imunes podem passar a reconhecer proteínas boas do nosso corpo e tentar destruí-las. Entram aí os efeitos colaterais, de prurido e erupções na pele a alterações endocrinológicas, colite, miocardite, entre outros.

Para a advogada aposentada Iane Oliveira Cardim, de 51 anos, os efeitos colaterais têm sido mínimos. Ela recebe injeções de anticorpos desde meados de 2016, quando recebeu o diagnóstico de câncer de pulmão com metástase nos ossos. A cada 15 dias, Iane vai ao hospital em Salvador para receber a medicação e, como diz, “a vida segue normal depois do remédio”.

— Passei a encarar como um compromisso como qualquer outro. Vou lá, fico uma hora recebendo o medicamento e, quando saio, vou para a rua, resolvo minhas atribuições do dia, volto para casa, tudo normal. Para não dizer que não sinto nada, fico com a pele mais ressecada. Minha médica diz que eu sou garota propaganda do medicamento, de tão bem que funciona para mim.

Sem 'fórmula mágica'

A baixa frequência de efeitos colaterais e o aumento do número de indicações do uso da imunoterapia não fazem do tratamento uma “fórmula mágica”, como alerta o oncologista e hematologista Daniel Tabak.

— É claro que temos um avanço, mas temos que ter cuidado no sentido de que isso não seja uma esperança falsa para pacientes. Por exemplo, alguém que não consegue mais sair do leito. É muito pouco provável que, se tratado com imunoterapia, ele venha a responder. Muitas vezes, piora-se a qualidade de vida do paciente na medida em que estamos ativando o sistema imune — diz Tabak. — Quando se desbloqueia o sistema imune, ele fica livre para matar, e as células podem atacar o câncer, mas também qualquer órgão do corpo. É uma ressalva que não pode deixar de ser feita.

Fonte: O Globo

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