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Cerca de 10% da incidência de câncer têm causa genética, indica estudo

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 01/06/2021 - Data de atualização: 01/06/2021


Estudo recente divulgado pela National Cancer Institute (NIH), uma das 11 agências que compõem o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, mostra que, apesar de grande parte da sociedade relacionar o câncer à hereditariedade, apenas entre 5% e 10% dos casos se dão por fatores epigenéticos, que são aqueles de caráter hereditário ligado ao surgimento da doença.

No entanto, esse dado não quer dizer que deva ser um fator de despreocupação. Exemplo disso, foi a precoce morte do prefeito de São Paulo, Bruno Covas, vítima da mesma doença que teve o avô, Mário Covas.

"É preciso saber do histórico familiar e ficar atento aos sintomas e sinais dados pelo corpo", explica André Murad, médico e criador de projeto pioneiro na área da genética aplicada à oncologia. "A oncogenética é um serviço indicado em casos como esse para proporcionar mais segurança e agilidade em um tratamento", completa o especialista, que é oncogeneticista do Centro de Câncer de Brasília (Cettro).
Dentre as principais síndromes descritas pela oncogenética, é possível citar o câncer de mama e ovário, bem como síndrome de Li-Fraumeni, síndrome de Lynch, entre outras.

De acordo com ele, nos casos do diagnóstico de síndromes hereditárias de predisposição ao câncer “é possível lançar mão de medidas preventivas com medicamentos como aspirina, por exemplo”. Outras intervenções estão ligadas ao rastreamento precoce e periódico e com cirurgias redutoras de risco (mastectomias, ooforectomias, tireoidectomias e colectomias).

Murad ainda ressalta o fato de essa estimativa de 10% estar em tendência de aumento. A justificativa é que os testes genéticos para pesquisa de mutações hereditárias de predisposição a câncer estão se tornando mais utilizados hoje em dia. “Os custos desses procedimentos foram, significativamente, reduzidos nos últimos anos, e, agora, estão mais acessíveis”, completa.

Investigação familiar

Para quem acha que precisa aprofundar nas tendências familiares para a doença, existe o aconselhamento genético. A técnica consiste em uma ou mais consultas com um especialista, o qual faz uma verdadeira investigação sobre o histórico médico pessoal e familiar envolvendo as últimas três gerações.

Porém, é importante ter consciência de que muitos fatores podem aumentar o risco de uma pessoa desenvolver câncer, além da genética. Entre eles, é possível citar gênero, idade e exposição a hormônios.

Oncogenética

Os oncogeneticistas se baseiam em ferramentas específicas e dados estatísticos para fundamentar a probabilidade de uma pessoa desenvolver determinados tipos de câncer. Um componente importante na avaliação do risco estima a chance de uma mutação genética ser a responsável por provocar o câncer em uma família.

Os benefícios derivados do rastreamento e das opções de gerenciamento do risco dependem do risco individual de cada pessoa, por isso é importante conversar com um geneticista ou oncogeneticista para ter uma avaliação exata.

É importante frisar que mesmo se o câncer não é encontrado em uma família, um membro dessa família ainda pode ter um risco para algum tipo de câncer durante a vida.

Fonte: Correio Braziliense

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