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Cartilha do Ministério da Saúde e do Inca enfatiza riscos da mamografia; especialistas criticam

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 27/10/2021 - Data de atualização: 27/10/2021


Publicada neste mês, tradicionalmente lembrado como Outubro Rosa, uma cartilha do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional do Câncer (Inca) sobre o câncer de mama tem causado discussões sobre o seu conteúdo. Especialistas no assunto discordam de alguns pontos publicados no documento. 

O trecho que chama mais atenção menciona os riscos de fazer mamografias de rotina. Conforme o texto, há chance de obter resultados incorretos, ser diagnosticada e tratada com cirurgia e quimioterapia para um tumor que não ameaçaria a vida e, por fim, cita a exposição aos raios X. Na avaliação da mastologista Andréa Pires Souto Damin, chefe do Serviço de Mastologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), esse trecho não poderia constar em um informativo do Ministério da Saúde. 

— Não tem como provar que um falso positivo não vai ser positivo no futuro. E a exposição ao raio X da mamografia é muito baixa, quase a mesma coisa que tomar banho de sol — compara a especialista. 

Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia, salienta que dados do Radar do Câncer dos últimos 10 anos mostram que a adesão à mamografia nunca passou dos 30%, e esse percentual segue em queda. Ao lançar um documento que enfatiza os riscos do exame, o governo acaba desestimulando as mulheres a procurá-lo. 

— Diante da nossa situação do câncer de mama no Brasil, temos que falar do benefício. Não é esconder o risco, mas evidenciar o benefício — defende. 

Idade mínima 

Na cartilha, também há a orientação para que as mulheres façam a mamografia apenas a partir dos 50 anos, contrariando as diretrizes das sociedades de Mastologia, Radiologia e Ginecologia e Obstetrícia, que preveem o exame aos 40. Por trás disso, explica Andréa, está a adoção, no Brasil, das recomendações da Inglaterra, dos Estados Unidos e do Canadá. Porém, o perfil do câncer de mama nesses locais é completamente diferente do brasileiro, observa a mastologista: 

— Nesses países, a incidência da doença em pessoas com menos de 50 anos é de cerca de 22%. No Brasil, chegamos a cerca de 40%. Nossa realidade é muito diferente da realidade onde são feitas as diretrizes. 

Soma-se a isso a impossibilidade do governo de arcar com os custos da ampliação de faixa etária desse exame, complementa o mastologista Antônio Frasson, professor da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Dessa forma, como política pública, a faixa etária é um critério. 

— Basicamente, o que Estado faz é a conta que leva em consideração o custo também. Apesar da recomendação da cartilha ser para fazer a mamografia a partir dos 50 anos, o médico que atende a paciente pode indicar que ela faça antes a juízo dele — destaca Frasson. 

Na prática, a chance de chegar no médico com um tumor em estágio avançado é muito maior aos 50 anos do que aos 40, aumentando, portanto, os custos com procedimentos e tratamentos.  

— Exames de rastreamento e diagnóstico precoce têm como objetivo descobrir alterações pequenas. O custo, não só emocional e de sobrevida, mas do tratamento, é mais alto quando o tumor está mais avançado — afirma o docente da PUCRS. 

Embora a cartilha recomende o início dos exames aos 50, o texto deixa claro que é possível fazer a mamografia diagnóstica para avaliação de suspeita a qualquer idade, conforme indicação médica. 

Idade limite 

Em outro ponto da publicação, há uma explicação do porquê de o exame não ser recomendado para mulheres com 70 anos ou mais. Segundo o texto, “nesta faixa etária é maior o risco de o exame revelar um tipo de câncer de mama que não causaria danos à mulher”. 

Frasson justifica que, de modo geral, depois dos 70 anos os tumores são menos agressivos, assim como aqueles diagnosticados antes dos 40 são mais agressivos. Entretanto, não existe nenhuma metodologia para identificar claramente a evolução da doença em cada pessoa. Ou seja, não é possível predizer se uma mulher pós-70 terá uma doença mais ou menos grave.

— Não é proibido que uma mulher com 70 ou mais tenha um tumor mais agressivo e uma com menos de 40 um menos. O conceito do “ah, mas depois dos 70 eles são menos agressivos” não pode ser transposto para uma pessoa individualmente. Tem que diferenciar recomendações populacionais das individuais — argumenta Frasson. 

Além disso, acrescenta Andréa, se considerarmos a expectativa de vida atual das brasileiras, de 80 anos, isso significa que uma mulher pode ficar mais de 10 anos sem fazer o exame. 

Quais os direitos? 

Ainda que exista a orientação para exames a partir dos 50 anos, a Lei nº 11.664, de 29 de abril de 2008, assegura a realização de mamografias aos 40. 

— A lei existe e está valendo. Há outro projeto que está para ser votado, mas ele diz a mesma coisa da lei — observa Luciana. 

Apesar da regra, algumas mulheres enfrentam dificuldades para fazer o exame antes dos 50 anos. 

— Precisamos instrumentalizar a mulher. Que ela se informe a respeito disso e, se quer fazer o exame, saiba que é um direito dela — sugere a presidente do Oncoguia. 

O que entidades médicas recomendam 

  • Exames de rastreamento anuais, a partir dos 40 anos (mulheres de alto risco devem começar antes, conforme orientação médica) 
  • Exames sem limite de idade, conforme recomendação médica

Matéria publicada pelo portal GZH em 26/10/2021.



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