[CÂNCER DE MAMA] Sueli Brusco

Instituto Oncoguia - Você poderia se apresentar?

Sueli Brusco - Meu nome é Sueli Brusco, sou uma executiva, trabalho com marketing de incentivo, ou seja, atuo no mercado de marketing com soluções motivacionais. Minha vida gira em torno da motivação de equipes, de estratégias para empresas que buscam melhorar desempenho, a autoestima dos colaboradores e um ambiente de trabalho ideal. Vivo em São Paulo e sou mãe de três filhos lindos e queridos: Alexandre, Victória e Victor. Sempre tive uma vida corrida, por conta do meu trabalho e até mesmo da cidade em que vivo. Além disso, também sempre gostei muito de ser uma pessoa workaholic, rs. Portanto, tempo sempre foi algo muito importante e difícil de lidar para mim, já que comecei a trabalhar quando jovem e tive o Alexandre muito cedo. Aí, já sabem, não é? A minha saúde e bem-estar sempre acabavam ficando em segundo plano, infelizmente, e os check-ups e exames viviam sendo adiados. A consequência disso tudo? Estresse, cansaço e até mesmo a incapacidade de ser plenamente feliz na vida em que levava.

Logo, recebi uma notícia bem triste e desagradável em 2 de abril de 2013, dia do meu aniversário de 48 anos, mas que não me fez perder a confiança e vontade de dar a volta por cima. Muito pelo contrário! Me deu força e vontade de cultivar uma vida mais saudável, valorizando as coisas e pessoas que realmente importam. Descobri que estava com câncer de mama e que seria necessário todo o tratamento cirúrgico, mais um longo processo de quimioterapia.

Claro que era inevitável não se sentir abalada pela notícia, mas isso não me impediu de querer levar uma vida completamente próspera. E é essa a minha proposta na página que criei no Facebook: mostrar, a partir do meu processo e do meu dia-a-dia, que qualquer mulher que passou, passa ou possivelmente passará pelo câncer, pode viver uma vida completamente normal e feliz. Além disso, quero mostrar que não é preciso perder o sorriso no rosto, o brilho no olhar e a boa autoestima.

Talvez essa seja uma forma de tentar transmitir para as mulheres que perderam a confiança em si mesmas, o verdadeiro valor e a real força interna que elas possuem, a capacidade de amar e brilhar na qual todas elas tem, mas as vezes não percebem. E, com isso, provar a mim mesma e para todos que essa doença não fará absolutamente nada comigo, somente me ensinar o valor que há em viver, em se sentir bem consigo mesma e me dar a oportunidade de ajudar milhares de mulheres que passam pela mesma situação.

Instituto Oncoguia - Como foi que você descobriu que estava com câncer?

Sueli Brusco - Em dezembro, apalpando o seio esquerdo, eu senti uma bolinha. Sabe quando a mãe do corpo leva para o lugar? Existe a sabedoria do corpo, o próprio corpo curando, eliminando. E acho que tem os fatores emocionais, acho que o câncer tem ver com emoções, de mágoa, tristeza, principalmente no órgão de doação que é a mama. E que de repente tudo se concentrou ali, que uma vez eliminado é vida nova. Estou louca para ter essa transformação, eliminar essas "enhacas”, por isso que no começo você rejeita a doença e depois acolhe. Do mesmo modo que o corpo tem de criar a doença, ele tem de curar ela. Eu faço o autoexame, mas nem sempre. Fui fazer o check-up cardiológico, já pedi a guia para o exame de mamografia e esqueci de fazer o exame de mama. Só fui fazer o exame fim de março, foi quando detectou um nódulo cancerígeno e parti para os outros exames, como a pulsão.

Instituto Oncoguia - Como você ficou quando recebeu o diagnóstico? O que sentiu?

Sueli Brusco - "Mama mia, e agora?”, foi isso que pensei.

Instituto Oncoguia - Qual era a sua maior preocupação neste momento?

Sueli Brusco - Queria me curar, ir atrás de informação para ficar menos insegura. É inevitável não ir para o fundo do buraco, na hora. Você pode adotar uma atitude positiva ou de vítima. Na hora, é inevitável não ficar em choque e ir para posição de vítima, mas na hora pensei em buscar informação para sair da atitude de vitima porque não ia adiantar nada, o problema já estava instalado e eu tinha que resolver

Instituto Oncoguia - O que aconteceu depois disso?

Sueli Brusco - Foi tudo muito rápido, tive sorte de ter vários amigos médicos e foi graças a uma amiga que disse para fazer a mamografia que fui, em abril. Sempre fiz exames regulares, mas não é bem isso, pois em dezembro já havia um nódulo. Seria ideal fazer exames de 6 em 6 meses, só que os médicos não apoiam, nem os planos e nem o governo.

Instituto Oncoguia - Você já começou o tratamento?

Sueli Brusco - Quinze dias após o diagnóstico. Me consultei com dois médicos, o primeiro indicou a cirurgia de retirada da mama como primeiro passo, já o segundo médico, que é com o qual preferi seguir o tratamento, preferiu começar com a químio e manter a mama, pois na visão dele somente mantendo a mama e o nódulo seria possível acompanhar e avaliar se a quimio está dando resultando, ou seja, se o nódulo está reduzindo. Segundo ele, quando você retira o nódulo, você acaba ficando sem referência e não consegue ver se a quimio está fazendo efeito, dando certo. Hoje, na segunda químio, já vimos que o nódulo reduziu pela metade. É claro que a retirada da mama será necessária.

Instituto Oncoguia - Em sua opinião, qual é o tratamento mais difícil? Por quê?

Sueli Brusco - É o emocional, não o físico. Acredito que nenhuma doença surja à toa e a doença precisa ser acolhida. Normalmente, a gente rejeita a doença, por não ter preparo, tampouco as pessoas que vivem ao nosso redor. Claro que existem várias crenças sobre o câncer, que é igual a morte. Você repara no rosto das pessoas com dó de ti, isso só piora.

Instituto Oncoguia - Você teve efeitos colaterais? Qual o pior?

Sueli Brusco - Ainda não tive, só agora, na segunda químio, tive enjoo. O que muda é teu estado interior, por isso que o mais difícil é o tratamento emocional, de você manter o emocional como mais uma história q você esta passando. Quando você vai buscar informação e você vê que a mídia não divulga a verdade, que o negócio está sendo considerado uma epidemia. Se soubéssemos disso, talvez seríamos mais cuidadosos. Tem muita mulher jovem passando por isso. E as campanhas são muito distantes. Hoje você tem nível de cura muito grande e ai vai de como você reage. Se você se sentir vítima, a situação se agrava. Para mim está mais complicado as pessoas do que eu. Quando me olham com piedade eu até penso, será que estou mal e não estou vendo? Será que contaram para a pessoa que a doença é pior e não contaram pra mim? Para mim a vida está normal, parece que eu ainda tenho que motivar os outros. Eu já passei tanta dificuldade na vida. A mídia deveria esclarecer mais, abrir espaço para a pessoa que está passando por isso. Acho que a pessoa que começou a tomar anticoncepcional deveria fazer exames. Você vê só ONGS divulgando.

Instituto Oncoguia - Como foi a relação com o seu médico?

Sueli Brusco - Estou apaixonada pelos dois, tanto o mastologista quanto o oncologista. Todos eles muito positivos, vai dar certo, vamos em frente. Estão felizes com a minha reação. Eu também procuro outros tratamentos alternativos que acredito, como a acupuntura, terapia, naturopatia, enfim uma jornada de cura. Estou tendo sucesso, sim. Adianta fugir do problema? Não. Estou aprendendo a viver um dia de cada vez. Eu me cuido, tenho uma alimentação balanceada, na verdade só senti o nódulo porque emagreci. Então, estou seguindo a vida normal, cuidando de mim. Também estou fazendo acompanhamento psicológico e nutricional.

Instituto Oncoguia - Como está a sua vida hoje?

Sueli Brusco - Normal, apesar das pessoas te tratarem de forma anormal.

Instituto Oncoguia - Conte-nos sobre seu trabalho e planos para o futuro.

Sueli Brusco - Meu trabalho é maravilhoso, uma das coisas que me dá prazer, tenho vários projetos para lançar e acho que quando você joga a mente para o futuro, teu cérebro vai buscar recursos para te levar no futuro. A automotivação, vem das coisas que você projeta pra frente. O câncer não é o problema mais pesado que tenho que administrar, falo no ponto de vista empresarial, comercial. Não vou fraquejar, pois tenho coisas mais importantes para pensar.

Instituto Oncoguia - Que orientações você daria para alguém que está recebendo o diagnóstico de câncer hoje?

Sueli Brusco - Receba a notícia com o coração, acolha o problema e não rejeite. Não perca tempo se vitimizando, você está viva, não está morrendo. Perdi pouco tempo sendo vitima, se pudesse voltar atrás no dia 3 de abril, quando recebi o diagnóstico, não perderia tempo com isso. Iria direto para o passo da solução, buscar ajuda, amigos.

Instituto Oncoguia - Qual a importância da informação durante o tratamento de um câncer?.

Sueli Brusco - Toda. Todos os órgãos deveriam ter estratégia de marketing principalmente sobre a prevenção e para quem está passando por isso. Foi pensando em compartilhar o problema que criei uma página no Facebook (MAMA MIA), eu poderia não me expor mas a informação, neste caso, é fundamental, sem falar no prazer em poder partilhar de outras histórias de mulheres que estão seguindo o mesmo caminho que o meu. 

Quanto mais procuro informação, mais indignada fico, principalmente com a falta de assistência médica e assessoria. Um amigo, que é professor da faculdade ABC, disse que muitas mulheres morrem por não ter dinheiro para pagar passagem de ônibus para fazer o tratamento. Também fiquei sabendo de uma amiga que foi fazer o exame de mama e o diagnóstico só ia sair depois de um mês e meio. Veja quanto tempo se perde, como é precário o sistema de saúde e dos planos de saúde. Se é um caso importantíssimo o tratamento e a prevenção, como podemos demorar muito tempo para conseguir marcar exames ou receber diagnósticos? É uma falha enorme e isso não é divulgado. É muito precário o atendimento. A imprensa deveria estar preocupada em acolher esses casos, divulgar de uma maneira diferente e positiva. A classe A tem acesso a cura, mas e as outras classes? As nossas mulheres sofrem o dobro e lutam muito mais pela cura e por um tratamento digno. Daqui a pouco vai começar a morrer mulheres jovens por falta de assistência. Meu conselho é ter uma medida drástica, de divulgar a falta de assistência.

Instituto Oncoguia - Você buscou se informar?De que maneira?

Sueli Brusco - Busco nos livros, com profissionais, em sites e veículos renomados.

Instituto Oncoguia - Como você conheceu o Oncoguia?

Sueli Brusco - Pelo Google, buscando instituições com credibilidade sobre o assunto.

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