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Câncer de mama metastático. Saiba o que fazer logo após o diagnóstico

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 02/10/2017 - Data de atualização: 02/10/2017


Ouvir a palavra "câncer” da boca de um médico está entre os maiores terrores do imaginário humano. Apenas neste domingo (1º/10), 156 mulheres tiveram de lidar como podem com o primeiro impacto da doença. O número é a média diária de novos diagnósticos de câncer de mama, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Até o fim deste ano, a estimativa prevê que 57 mil brasileiras terão recebido a notícia nas redes públicas e privadas de saúde.

O primeiro dia do mês marca a largada oficial da campanha Outubro Rosa, mobilização mundial sobre prevenção e diagnóstico precoce da doença. Embora curável em quase 100% dos casos quando diagnosticada ainda em fase inicial, é sobre o tipo metastático – quando o tumor se espalha para outros órgãos do corpo – que entidades e especialistas têm dedicado atenção especial há alguns anos. A justificativa, eles dizem, é dar informação e amparo a um grupo de pacientes que não encontra na cura, mas, no melhor tratamento possível, a luz no fim do túnel.

"Ainda não conseguimos mudar a realidade do diagnóstico avançado”, avalia Luciana Holtz, psico-oncologista e presidente do Instituto Oncoguia, voltado a amparar pacientes e disseminar informações sobre o câncer. "Tem muita mulher com um carocinho esperando para fazer a biópsia, ou na fila para a mamografia. Tem muita gente também com medo de fazer o exame. E é óbvio que ninguém quer achar um câncer. Mas a mensagem do ‘achar pequenininho’ tem que ser propagada. Não ter medo de encontrar vai fazer toda a diferença”, continua a especialista.

Apesar dos avanços em tratamentos e diagnósticos, os especialistas calculam que cerca de 30% de todos os tumores de mama, mesmo os detectados precocemente, progredirão à metástase em algum momento.

Neste ano, junto à farmacêutica Pfizer, a um grupo de ONGs latino-americanas de combate ao câncer e à Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), o Oncoguia lança a campanha "Eu e meu câncer de mama metastático”. Além de ações educativas pelo Brasil, a ação conta com uma série de materiais impressos dedicados a guiar as mulheres nos primeiros passos após o baque do diagnóstico.

A lista inclui um folder com tópicos a serem abordados com o médico; um guia de preparação para a próxima consulta, com perguntas sobre diagnóstico, tratamento e preparação, e uma revista com textos e informações sobre a doença, emoções, trabalho e relacionamentos no convívio com o câncer.

"Às vezes as mulheres não sabem nem o que perguntar”, diz Luciana. "No Oncoguia, a gente escuta muito das pacientes que elas aprenderam a ter dúvida. É difícil, mas é importante saberem que aquilo é a vida delas, em como o tratamento vai impactar a rotina e que podem participar dessa decisão do que é melhor ou não em cada caso”, detalha a presidente da ONG.

"É importante a paciente sair da posição passiva e assumir uma postura ativa, de negociação"
Luciana Holtz, psico-oncologista, presidente do Instituto Oncoguia.

Se você está passando pelo diagnóstico de metástase ou conhece alguém nessa situação, os três passos a seguir podem ajudar a vencer o impacto e se empoderar diante da notícia:

Busque uma rede de apoio, mas escolha bem:

A internet está cheia de informação. Nem tudo o que se encontra ali, no entanto, é verdadeiro ou servirá ao seu caso. "Me preocupo muito com a informação de blogueira”, afirma Luciana Holtz. "Claro que tem sua importância e relevância, mas ela está contando uma experiência pessoal. Precisa deixar claro que aquilo é dela e serviu a ela, mas pode não servir a outras pacientes. Essa diferença tem que ser feita”, continua. A recomendação da especialista é para que a paciente procure por fontes confiáveis: sites acadêmicos, de hospitais e de grandes veículos de comunicação.

Não tenha medo de perguntar sobre o seu tratamento:

Saber o que vai ou pode te acontecer a partir do diagnóstico vai acender uma luz sobre a sua situação. O seu médico pode informar, por exemplo, sobre as opções de medicamentos para o seu tipo de tumor; remédios ou alimentos que podem ajudar a suavizar os sintomas da medicação; o alívio para a sensação de fadiga; e se o tratamento será intravenoso ou não. Fazer uma lista com as dúvidas antes da próxima consulta pode ajudar a organizar as ideias.


Escolha com quem compartilhar o diagnóstico:

Nem todo mundo precisa saber de sua doença. Os especialistas recomendam que você escolha a quem contar e que respeite o seu tempo – não precisa ser tudo ao mesmo tempo. Ao contar para familiares e filhos, esteja preparada para todas as possibilidades de reações, inclusive a ausência dessas pessoas. O médico também pode te ajudar com indicações de profissionais e psicólogos especializados, que podem ajudar crianças a enfrentarem a nova situação em casa.

Matéria publicada no Jornal Metrópoles em 02/10/2017

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