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Câncer: apenas 53% das pacientes que tiraram a mama no SUS passaram por reconstrução. Na rede privada, 74%

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 10/05/2018 - Data de atualização: 10/05/2018


O relógio marcava 19h40 quando o telefone tocou na casa de Elizabeth da Silva, de 62 anos, funcionária administrativa da UPA Engenho Novo. Era a assistente social do Rio Imagem, centro estadual de diagnóstico, ligando para avisar que o laudo da biópsia da mama estava pronto e ela deveria buscá-lo no dia seguinte. Desligou o telefone. Alguns segundos depois, a ficha caiu. "Só ligam quando alguma coisa está errada”, disse para si mesma.

— Chorei tudo que tinha para chorar — lembra Elizabeth.

Entre o resultado do ultrassom da mama e o laudo da biópsia, ambos marcados com ajuda de uma amiga que trabalha numa clínica da família, foram 74 dias. Vinte e quatro dias após o diagnóstico, em 2 de fevereiro, Elizabeth passou pela primeira consulta no Instituto Nacional de Câncer (Inca). Chegou com exames para risco cirúrgico prontos, realizados no Rio Imagem. Fez cintilografia em clínica privada.

— Nunca havia vaga no Inca. Quando ligaram de lá para eu fazer a cintilografia, já estava até operada — conta ela, que passou pela cirurgia em 5 de março.

Naquele dia, relembra Elizabeth, quatro mulheres também teriam a mama retirada. Mas só ela pôde fazer a reconstrução mamária imediata, devido ao tipo e ao tamanho do tumor. Pesquisa da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama) mostrou que apenas 53% das pacientes que passaram pela mastectomia na rede pública tiveram o seio reconstruído. Na rede privada, a taxa ultrapassa 74%.

— Ao receber o resultado do exame que mostra o tipo do tumor, a médica me ligou dizendo que ia me operar de urgência e adiantou trâmites e consultas que estavam por vir — diz a paciente.

A corrida contra o tempo, que fez com que Elizabeth iniciasse o tratamento dentro do prazo máximo de 60 dias, como manda a lei, é o objetivo do Programa de Navegação do Paciente (PNP), cujo projeto-piloto foi implantado em agosto do ano passado no Rio Imagem pela médica Sandra Gioia, com apoio da ONG Global Cancer Institute.

Conforme o EXTRA mostrou no primeiro dia da série de reportagens "Uma luta dolorosa”, publicada no domingo, os chamados navegadores de pacientes são profissionais de saúde treinados que facilitam a tramitação dos usuários do sistema, ajudando-os a superar as barreiras institucionais, socioeconômicas e pessoais para o acesso ao tratamento.

— No nosso caso, escolhemos enfermeiro e assistente-social, porque eles já conhecem o sistema e sabem lidar com o público. Eles ajudam os pacientes a receber cuidados médicos em tempo hábil, a reduzir os atrasos nos cuidados e abandono de tratamento — diz Sandra.

A partir do projeto-piloto no Rio Imagem, a médica elaborou um plano estratégico com propostas de ações para acelerar a chegada das mulheres ao tratamento e o entregou ao governo estadual. Entre as sugestões, estão desde mutirões para zerar filas e redimensionamento da rede de assistência a realização de exames pré-operatórios e consultas para risco cirúrgico nas unidades básicas de saúde.

— O PNP se propõe a levar diagnóstico e tratamento em tempo hábil no complexo e ainda fragmentado SUS. Tem o potencial para oferecer dignidade ao usuário do sistema, retirando barreiras e burocracias, com atenção ao ser humano, e transformando o Sistema de Regulação de doenças em Sistema de Regulação de pessoas — diz Sandra.

Para a lei sair do papel

Criada em 2013, a Lei 12.802 prevê que pacientes submetidas à mastectomia têm o direito de realizar a reconstrução mamária por meio do SUS imediatamente após a retirada do tumor ou tão logo apresente os requisitos clínicos necessários.

— Além de um direito da mulher, reconstruir a mama faz parte do tratamento. A cirurgia devolve para a mulher a imagem corporal e a autoestima — diz Maira Caleffi, presidente da Femama.

Para a mastologista Sandra Gioia, a diferença na porcentagem de mulheres que fazem a reconstrução na rede privada e no SUS se deve a fatores como falta de profissionais de saúde e recursos na rede pública, mas principalmente pelo estágio avançado da doença nas pacientes que chegam aos hospitais públicos:

— A demora no diagnóstico e início do tratamento faz com que metade das mulheres cheguem com o tumor localmente avançado e comprometimento grosseiro da mama, o que impossibilita a reconstruição imediata.

Para mudar esse quadro, o PNP traz propostas que já começaram a ser implantadas.

— Pioneiro nos Estados Unidos, a navegação de paciente aumentou a taxa de sobrevida em cinco anos para câncer de mama de 39% para 70% na população-alvo. Esperamos ter esses resultados no Brasil — afirma Sandra.

‘A médica pulou etapas burocráticas’

"Deus colocou uma médica no meu caminho que viu, com base nos exames, que, se demorasse mais um pouco, o tumor iria crescer e eu teria que ir para a quimioterapia antes, inviabilizando a reconstrução mamária imediata. A médica pulou etapas burocráticas e adiantou a consulta com o anestesista. Eu também cheguei ao Inca com todos os exames prontos e sabendo tudo que aconteceria, porque recebi apoio do Programa de Navegação, no Rio Imagem.

Quando recebi a notícia de que já sairia da operação com novos seios fiquei muito feliz. Apenas pedi que eles ficassem no menor tamanho possível. Quando acordei da anestesia, vi que eles ficaram perfeitos! É outro astral. Não sei como reagiria se não fosse assim.

A médica me disse que vou começar a quimioterapia no dia 23. Não recebi muito bem essa notícia. Mas está tudo dando certo até agora. E assim vai continuar. Está nas mãos de Deus.”

Fonte: Jornal Extra

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