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Cadê o seio que estava aqui?

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 22/09/2016 - Data de atualização: 22/09/2016


13 centímetros.

Essa é a medida que sai mais especificamente do centro do corpo - logo abaixo do meu seio "comprado” - e que termina perto a região do braço. A marca física de um processo repleto de idas e vindas e que gerou uma outra marca um pouquinho mais larga do que essa citada.

Na minha fase de descoberta do câncer, lembro-me de ter acordado e colocado automaticamente a mão no seio esquerdo. Confesso que nem eu e nem a minha ginecologista na época tínhamos esse costume. Cresci ouvindo a respeito do diagnóstico como na história do Harry Potter, onde não se podia "nomear" o grande vilão da história para não atraí-lo.

Hoje, convivo com alguns centímetros que me fazem, diariamente, certa diferença frente ao espelho e na minha forma de enxergar os processos da vida. O mais estranho de escrever sobre isso é que mesmo anos após o diagnóstico de câncer de mama e de muitos meses desde a última cirurgia, esse assunto ainda é um grande mistério pra mim. O que isso quer dizer? Eu ainda não sei explicar a sensação que nasceu aqui dentro logo após o recebimento do diagnóstico - e da notícia de ter que tirar completamente uma das mamas.

Inicialmente, sabia que tinha que ficar bem e aceitar toda aquela situação para não dificultar todo esse processo aos que me amam e que também estavam sofrendo com a notícia. Depois, fui me (re)descobrindo e assim, agradecendo a cada oportunidade de renascer tão jovem. Sem o diagnóstico, a probabilidade de amadurecer tão menina seria quase inexistente e não tenho vergonha em assumir isso. Se questionar o por quê das coisas faz parte do nosso processo individual e natural de aceitação, mas confesso que meu tempo de permanência dentro desse "buraco” durou até que relativamente pouco, visto que me questionei apenas uma vez sobre isso e no mesmo dia, olhei pra dentro e me perguntei friamente: ‘Pera aí, mas por que não comigo?’. Colocar-me como um ser humano nada diferenciado de qualquer outro foi o que precisava para aceitar todo o diagnóstico e passar a me fazer a pergunta correta: Em quem essa experiência com o câncer pode me transformar?

E assim o câncer chegou, trouxe um milhão de coisas novas e só levou embora a minha mama. Que por sinal, graças às próteses, estão quase como eu sempre quis. O resto (pelos e cabelos) foram estados temporários e reversíveis. E como sempre fui muito vaidosa, aquele processo de perder pelos, cabelos e ganhar peso, foi de verdade, encarado como uma grande libertação. Eu não tive outra escolha e, na verdade, quem é que tem? Mas esse foi o meu processo. Cada vez mais, acredito na ideia de que o nosso organismo não esteja acostumado a tantas agressões internas. O meu não estava. E a minha cabeça em relação às mudanças também não.

Leva um tempo até você se acostumar e dizer que é natural. Esse tempo pode ser relativamente rápido para uns – como foi para mim - ou extremamente lento para outros. Aceitar que não teria um seio natural foi um processo que, pelo menos pra mim, exigiu algumas loooongas e solitárias conversas internas frente ao espelho.

Hoje penso que são as minhas cicatrizes que mostram e relembram o meu caminho. Entre todas as minhas inseguranças e questionamentos sobre isso, também posso dizer com toda convicção e emoção desse mundo: a falta do meu seio também me ajudou na transformação de uma mulher um pouco mais forte.

Mas talvez você, paciente com câncer de mama e também mastectomizada, talvez você não queria saber exatamente sobre essa fase mais grata de uma – pesadamente falando - mutilação. Talvez você se olhe no espelho e se questione de algo que independe dos seus pensamentos – e de suas reações: Como posso me "apresentar” a sociedade assim? Como posso retomar a minha vida, seguir em frente e ser aceita pelo meu parceiro com uma "bolinha” mais dura no lugar de um colo macio, ou também por vezes, sem essa bolinha...

Aí, eu também abro meu coração e te digo claramente: #Tamojunto! E quando penso em expor meu corpo futuramente (ou até de entrar em um provador de roupas com amiga por perto), isso pode até me preocupar um pouco, mas aí também faço o exercício de lembrar minha história. Então, lentamente e como num passo a passo, respiro fundo e sinto um grande orgulho por chegar onde cheguei: Eu não sou – e nunca fui - aquilo que me falta! Você também não é – e nunca será – aquilo que também te falta! E agradeço a maturidade que recebi junto aos meus 13 centímetros para reconhecer isso.

Quanto ao colo macio e as cicatrizes, não se preocupe e reflita: Talvez, e apenas talvez, a aceitação do próximo dependa única e exclusivamente da sua.

Leve seu tempo para (se) aceitar... e depois, siga em frente!

Com carinho,
Evelin



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