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Boato contra máscaras distorce estudo para insinuar relação com câncer de pulmão

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 22/02/2021 - Data de atualização: 22/02/2021


É falso o texto publicado em um blog que diz que um estudo teria mostrado que o uso de máscara a longo prazo cria micróbios que se infiltram nos pulmões e contribuem para o surgimento de câncer. O boato cita um estudo que não faz essa afirmação e nem sequer envolveu o uso de máscara.

O texto original foi publicado em um site norte-americano que foi banido do Facebook por disseminar informações falsas e teorias da conspiração sobre saúde. No Brasil, o boato foi replicado por um blog e já foi compartilhado ao menos 1,5 mil vezes no Facebook.

O estudo usado como referência foi publicado em fevereiro deste ano no periódico Cancer Discovery da American Association for Cancer Research (AACR). A pesquisa mostra que o aumento de micróbios comensais orais nos pulmões foi associado ao câncer no órgão em seu estágio avançado.

À agência Reuters, os professores James Tsay e Leopoldo N. Segal, que estão entre os autores do estudo, afirmaram que não existem evidências científicas que sustentem essa “interpretação errônea” do resultado da pesquisa. Além disso, os pacientes foram recrutados entre 2013 e 2018, período anterior à pandemia e no qual não era comum o uso de máscaras.

Segundo Segal, não há base científica para suspeitar que usar máscaras pode aumentar a quantidade de bactérias orais que chegam ao pulmão, e que fazer tal afirmação é “fazer uma interpretação equivocada de nossos resultados”. Ele explica que a principal fonte desses micróbios é a boca e a orofaringe, e a quantidade deles depende da higiene oral e da ingestão de alimentos.

Conteúdo semelhante foi checado pela agência AFP Checamos.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas: apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

Fonte: Estadão

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