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Audiência pública debate o combate ao câncer do colo do útero no Brasil

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 11/03/2020 - Data de atualização: 11/03/2020


A Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal realizou, nesta terça-feira (10), debate sobre o combate ao câncer do colo do útero no Brasil: da prevenção, vacina de HPV e tratamento da doença avançada. A audiência foi requerida pelos senadores Maria do Carmo Alves (DEM-SE), Paulo Paim (PT-RS) e Leila Barros (PSB-DF).
 
Associação Brasileira de Mulheres Médicas
Nise Hitomi Yamaguchi, representante da Associação Brasileira de Mulheres Médicas, sugeriu aos senadores que seja feito um plano estratégico de criação de um marco regulatório do câncer do colo do útero. Segundo ela, a previsão em 2015 era de 576 mil novos casos. Desses, 60% são diagnosticados em estágio avançado. Nise considera um ponto fundamental a busca do diagnóstico precoce. Para ela, a falta de exames preventivos é crítica. Segundo a médica, nove em cada dez mulheres que morrem de câncer cervical uterino são de países de baixa ou média renda. 

A vacinação e o teste Papanicolau são, de acordo com Nise, pontos fundamentais para chegar ao diagnóstico precoce. Ela também disse que o Brasil está em terceiro lugar entre os países com maior mortalidade por câncer do colo uterino e em segundo lugar de países com maior mortalidade de câncer de pênis. Além disso, Nise disse que o norte e o nordeste do Brasil tem uma concentração maior desses tipos de tumor. Ela salientou que outro problema sério do Brasil é a iniciação sexual antes dos 16 anos. Por isso, ela sugeriu uma educação sexual aliada à vacinação.
 
Associação Médica Brasileira
Etelvino Souza Trindade, representante da Associação Médica Brasileira, falou sobre a diferença de custos dependendo do estágio da doença. Segundo ela, se a doença for diagnosticada no primeiro estágio de lesões precursora do colo, o paciente tem sobrevida de 100% e o custo é US$ 18,79. No último estágio, quando o câncer está além da pelve, a sobrevida é de 10% e o custo é US$ 2.219,73. 

Além disso, Trindade afirmou que, apesar do câncer do colo do útero ter um dos mais altos potenciais de prevenção, apenas 30% das mulheres realizam o exame pelo menos três vezes na vida e a vacina do HPV ainda é incipiente e sob controvérsia na mídia. Ele reforçou que o câncer do colo do útero tem prevenção primária, que é a vacina contra o HPV e a detecção precoce é eficaz com o uso da citologia. 
 
Ministério da Saúde
Aline Leal Lopes, técnica da Coordenação Geral de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, mostrou dados do INCA que mostram que 16.590 novos casos de câncer do colo do útero são esperados para 2020. A incidência, de acordo com a pesquisa, é de 12,6 casos a cada 100 mil mulheres. Além disso, Aline disse que os dados mostram uma incidência maior na região Norte. Segundo ela, a incidência nessa região é de 26,2 a cada 100 mil mulheres. Aline também disse que o câncer do colo do útero é o terceiro mais incidente em mulheres, atrás do câncer de mama e do câncer colorretal. Além disso, Aline mostrou que, também de acordo com o INCA, foram 6.382 óbitos em 2017. A incidência foi de 5,14 a cada 100 mil mulheres. Também houve uma incidência maior na região Norte, com a incidência de 12,2 óbitos a cada 100 mil mulheres. Ela afirmou que há uma discrepância regional importante dos casos. Sobre a prevenção, Aline disse que a vacinação das meninas entre 9 a 14 anos foi completa em 50% dos casos. No caso dos meninos, somente 20% dos casos. Para melhorar o cenário, Aline disse que o Ministério da Saúde tem adotado estratégias para conscientizar os brasileiros sobre a importância da vacina. O desafio do Ministério da Saúde, segundo ela, é chegar a 80% da adesão. Sobre o orçamento do Ministério, Aline disse que o aumento tem sido constante. Segundo ela, em 2019, o Ministério da Saúde gastou R$ 3,75 bilhões em tratamento de câncer.

Instituto Oncoguia
Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, contou que o Oncoguia ouviu mulheres com câncer do colo do útero e especialistas e fez um levantamento. Segundo ela, 85% dos especialistas elencaram, em primeiro lugar, o baixo conhecimento da população sobre a relação do HPV com o câncer do colo do útero. Em seguida, a falta de informações da população sobre o HPV e colo do útero e a falta de conscientização e adesão ao Papanicolau. 

Para melhorar a situação atual, Luciana disse que os especialistas afirmaram, em primeiro lugar, a necessidade de educar os pais. Em segundo lugar o envolvimento das escolas e em terceiro lugar as campanhas para desmistificar as fake news sobre a vacina.  Sobre a adesão ao Papanicolau, Luciana disse que os especialistas sugeriram vincular e automatizar a busca do resultado do exame com o retorno da consulta e a orientação de médicos e profissionais de saúde. Além disso, a presidente do Instituto Oncoguia sugeriu uma discussão sobre a qualidade do Papanicolau. Segundo ela, muitas mulheres que fazem o exame têm enfrentado problemas com o resultado.

Também segundo o levantamento do Oncoguia, Luciana disse que as pacientes contaram que não sabiam da relação do HPV com o câncer do colo uterino e muitas relataram culpa por terem contraído o vírus. Ela destacou que muitas pacientes disseram que seus respectivos médicos não alertaram sobre o câncer do colo doj útero. E também tiveram sinais e sintomas negligenciados e demora no diagnóstico. Ainda de acordo com o estudo do Oncoguia, Luciana disse que muitas pacientes declararam que o tratamento tem um peso grande em suas vidas e impacto significativo na qualidade de vida. 

Sobre as principais barreiras para o diagnóstico precoce, ela disse que os especialistas elencaram, nesta ordem, a demora para consulta com especialistas, a demora para fechar o diagnóstico e a baixa taxa de adesão ao Papanicolau. Luciana também disse que 85% dos especialistas afirmaram que as mulheres não recebem o melhor atendimento no SUS, além da dificuldades com relação à radioterapia. Ela contou que outro ponto que o Oncoguia tem trabalhado é com relação a sedação para realizar a braquiterapia. Segundo ela, muitas pacientes relataram dor. Por isso, ela sugeriu pensar em soluções como a inclusão de um anestesista no procedimento ou a inserção da sedação na tabela APAC. Entre as sugestões para melhorar a situação, presidente do Oncoguia apontou a disponibilização de atendimento psicológico e a capacitação das equipes multidisciplinares. Por fim, Luciana disse que os pedidos do Oncoguia são intensificar as estratégias para melhorar a adesão a vacina, focar em linhas de cuidado da saúde da mulher, retorno da vacinação para as escolas e diagnósticos e tratamentos adequados para a paciente.
 
Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica
Angélica Nogueira, diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), disse que os números do câncer do colo uterino são alarmantes. Além disso, não houve impacto significativo de redução de mortalidade com os programas do Ministério da Saúde, que permanecem praticamente constantes desde 1980. Entre os motivos, Angélica afirmou que a cobertura de papanicolau é muito baixa. Segundo ela, apenas 16% da população indicada faz o exame. No Maranhão, que é o estado onde o câncer do colo uterino é o mais incidente em mulheres, o exame preventivo é realizado em apenas 4% das mulheres indicadas. 

A diretora da SBOC acredita que a incorporação da vacinação anti-HPV no país em 2014 foi um passo importante. Atualmente, segundo a OMS, 80% das meninas que vivem na América Latina estão em países onde há cobertura vacinal do HPV. De acordo com Angélica, as vacinas encontram dificuldades como conhecimento limitado, conceitos errados sobre segurança da vacina e barreiras culturais. Ela apresentou estudo realizado em oito capitais brasileiras, mostrando que apenas 8% dos pais estavam cientes da vacina. Mas, uma vez informados, 90% relataram que vacinariam seus filhos. De acordo com ela, a educação é uma chave para mudar o cenário. 

Sobre inseguranças com relação a vacina, Angélica disse que mais de 300 milhões de doses já foram distribuídas e estudos importantes mostram a segurança da vacina na população da América Latina. Também segundo ela, com a incorporação da vacina, a taxa de vacinação subiu de 3 para 93% em apenas um ano. Outra questão levantada pela médica oncologista foi que a vacinação anti-HPV deve ser desvinculada à atividade sexual e passar a ser tratada como uma vacina anti-câncer. Ela sugeriu a volta da vacinação para as escolas. Segundo ela, entre 2014 e 2015, período em que a vacinação deixou de ser ofertada nas escolas, houve uma redução de 25% das pessoas vacinadas. Ela reforçou que os adolescentes não vão aos postos de saúde, por isso as vacinas devem ir até eles. Outra sugestão foi a necessidade do cartão de vacinação para matrícula em escolas. 

Para tentar levar mais visibilidade ao tema, Angélica contou que os médicos oncologistas em conjunto com mais de 20 associações estão trabalhando no Movimento Brasil sem Câncer do Colo do Útero levando educação à população e aos profissionais de saúde. Ela disse que a OMS lançou a meta 90 70 90. Isto é, 90% de cobertura vacinal, 70% testes do HPV/DNA realizados e 90% de acesso ao tratamento em estágio inicial.

Clique aqui e confira o vídeo da audiência pública.



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