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ASCO: imunoterapia mostra potencial inédito para câncer de rim

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 07/06/2021 - Data de atualização: 07/06/2021


Pela primeira vez uma imunoterapia mostrou benefício no tratamento do tipo mais comum de câncer de rim como abordagem complementar e posterior a uma cirurgia. Os resultados dessa investigação sobre pembrolizumabe, anti-PD-1 da MSD, para o carcinoma de células renais foram anunciados durante o congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês).

Há décadas, a comunidade científica busca encontrar opções terapêuticas para este tipo de paciente. E agora, após um acompanhamento médio de 24 meses, esse medicamento demonstrou redução estatisticamente e clinicamente significativas no risco de recorrência da doença ou de morte em 32% na comparação com o placebo. Adicionalmente, foi observado uma tendência favorável a ganho de sobrevida global para este medicamento, com uma redução no risco de morte em 46% quando comparado ao placebo. Esses são os primeiros resultados do estudo clínico Fase 3 – KEYNOTE-564[1] onde pembrolizumabe foi avaliado como potencial tratamento adjuvante em pacientes com carcinoma de células renais em risco intermediário-alto ou alto de recorrência após remoção cirúrgica do rim ou após cirurgia e ressecção de lesões metastáticas.

“Esperamos desenvolver essa importante pesquisa e fornecer novos tratamentos para pacientes com câncer renal”, afirmou o líder do estudo, Toni K. Choueiri, diretor do Lank Center for Genitourinary Oncology, co-líder do Kidney Cancer Center, Dana-Farber Cancer Institute e professor de medicina na Harvard Medical School. Segundo o investigador, quase metade dos pacientes com carcinoma de células renais em estágio inicial apresentam recorrência da doença após a cirurgia.

Na avaliação da diretora médica executiva da MSD Brasil, Márcia Abadi, o KEYNOTE-564 demonstra esperança para os pacientes: “Esses dados destacam a importância cada vez maior de pembrolizumabe contribuir no tratamento dos pacientes nos cenários mais precoces da doença, impedindo que o tumor se espalhe e se torne mais difícil de tratar. Com esses resultados, pembrolizumabe se torna um novo padrão de tratamento para pacientes com câncer de rim em estágio inicial e esperamos trabalhar em estreita colaboração com as autoridades regulatórias para tornar esta opção de tratamento disponível para os pacientes o mais breve possível.”

A MSD continua a estudar pembrolizumabe, em combinação ou como monoterapia, bem como outros produtos experimentais em vários cenários e estágios do carcinoma de células renais, incluindo a doença avançada ou metastática, por meio de um amplo programa de desenvolvimento clínico, que inclui mais de 20 estudos e mais de 4 mil pacientes.

A imunoterapia está atualmente aprovada nos Estados Unidos, Europa, Japão e Brasil, em combinação com axitinibe, para o tratamento de primeira linha de pacientes com a doença avançada.

Sobre o carcinoma de células renais

O carcinoma de células renais é o tipo mais comum de câncer renal - cerca de nove em cada 10 cânceres renais. É quase duas vezes mais comum em homens do que em mulheres. A maioria dos casos é descoberta acidentalmente durante exames de imagem para outras doenças abdominais. Em todo o mundo, estima-se que houve quase 431.300 novos casos de câncer renal diagnosticados e quase 179.400 mortes pela doença em 2020.

O câncer renal tem causas variadas como tabagismo, obesidade, hipertensão arterial, insuficiência renal terminal e histórico familiar, bem como algumas síndromes clínicas raras, presença de doença renal cística adquirida, uso prolongado de analgésicos não esteroides, e exposição ocupacional a alguns agentes como cádmio e derivados de petróleo, entre outros[2].

Sobre pembrolizumabe

O medicamento pembrolizumabe, comercialmente conhecido como KEYTRUDA nos países onde está aprovado, é um anticorpo monoclonal humanizado, desenvolvido para aumentar a capacidade do sistema imunológico de combater os cânceres avançados. O medicamento bloqueia a interação entre a proteína PD-1, das células de defesa do corpo, e seus ligantes, como PD-L1 e PD-L2, expressos pelas células tumorais. Ao interceptar essa interação, o medicamento aumenta o potencial de ataque das células de defesa sobre as células cancerígenas, ou seja, faz com que haja mais ação contra o tumor.

O medicamento está aprovado no Brasil para 16 indicações em diversos tipos de cânceres, entre eles, pulmão, pele (melanoma), sangue (linfoma de Hodgkin), estômago, rim, bexiga e cabeça e pescoço, ampliando o arsenal terapêutico de tratamento definido pelo médico oncologista[3].

[1] Estudo de segurança e eficácia de pembrolizumabe (MK-3475) como monoterapia no tratamento adjuvante de carcinoma de células renais pós-nefrectomia (MK-3475-564 / KEYNOTE-564) Disponível em https://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT03142334 . Acesso em 02  de junho 2021.

2 AMERICAN CANCER SOCIETY. Risk Factors for Kidney Cancer. Disponível em: <https://www.cancer.org/cancer/kidney-cancer/causes-risks-prevention/risk-factors.html> Acesso em: 03/6/2021.

3 Bula KEYTRUDA. Disponível em Consultas - Agência Nacional de Vigilância Sanitária (anvisa.gov.br) Acesso em: 03/06/2021.

FONTE: Ketchum Assessoria de Imprensa

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