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A Saúde Emocional e o Câncer de Pulmão de Pequenas Células

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 12/05/2013 - Data de atualização: 24/05/2016


Insegurança, medo, tristeza. O câncer traz consigo, além de inúmeros desafios ao corpo, impactos emocionais que devem ser administrados pelo paciente. A fragilidade é absolutamente normal, e tende a ser minimizada conforme o paciente tem consciência de todas as etapas que vem pela frente. No entanto, é fundamental que a pessoa em tratamento esteja atenta a si mesma, em alerta, para que a dor e a tristeza não se tornem uma constante em sua vida e, possivelmente, ocasionem uma depressão.

 

A psico-oncologista e presidente do Instituto Oncoguia, Luciana Holtz, reforça aos pacientes que não há necessidade de enfrentarem seus medos e dores sozinhos e que podem contar com ajudas especializadas como a de um psicólogo ou mesmo psiquiatra. Na entrevista abaixo, Holtz fala sobre a importância do suporte psicológico, do tratamento multidisciplinar, da presença da família e amigos na passagem do paciente pela doença e que infelizmente ainda temos que caminhar muito para que todos os pacientes brasileiros sejam realmente atendidos e cuidados de forma integral e por uma equipe que trabalha de forma interdisciplinar. "As pequenas e grandes decisões de um tratamento deveriam ser sempre tomadas em conjunto: médico, equipe e paciente”.

 

Confira a entrevista abaixo.

 

Portal Oncoguia: Porque a notícia de um câncer tende a ser tão assustadora? Aos diagnosticados com câncer de pulmão pode ser ainda mais difícil?

Luciana Holtz – A notícia de um câncer é sempre muito difícil. E aos diagnosticados com câncer de pulmão pode haver agravantes. Aos pacientes que nunca fumaram vem a pergunta: "porque comigo?”. E aos fumantes, esse medo, esse susto, pode vir acompanhado de culpa, que sem dúvidas é um acréscimo à dor. O diagnóstico, aos fumantes, traz consigo outras situações a administrar. A abstinência e a obrigatoriedade do parar de fumar. Isso é muito difícil. Entendo então, que esse paciente, talvez até mais que outros, precise ser acompanhado de forma multiprofissional. Um psiquiatra para ajudá-lo a controlar a abstinência e a parar de fumar. Sendo assim, é mais que fundamental que oncologista e psiquiatra desse paciente dialoguem, trabalhem e decidam conjuntamente.

Instituto Oncoguia - Pacientes com doenças graves, como o câncer de pulmão, lidam com o medo da morte; como disse um paciente certa vez eles ‘jogam xadrez com a morte todo o tempo’. Como lidar com a possível terminalidade da vida?

Luciana Holtz: O medo da morte é comum em todos os pacientes, principalmente no momento do diagnóstico. Esse é um desafio a se enfrentar inerente do câncer. O ideal é que esse medo se minimize, mas para auxiliar nesse processo alguns fatores são fundamentais: informação de qualidade, apoio e a definição clara e transparente do planejamento do tratamento. "O que nós vamos fazer?”, "Quais as opções de tratamento que existem para o meu caso?”. Um diálogo claro, verdadeiro, dará ao paciente uma percepção ampla e real de sua doença. Agora... Medo da morte infelizmente existe, e em alguns momentos isso é mais latente. Mas quem é que não tem medo de morrer? O que não se pode fazer é esconder esse medo, deixá-lo em uma gavetinha trancada a chaves. É importante que se encare o medo de frente, porém não sozinho. Porque sozinho!? Fica muito mais fácil quando você tem alguém do seu lado, dialogando sobre isso. Esse é o papel da psicologia. O profissional está aí para isso, para pensar com você, para te dar apoio e respaldo emocional, além de te ajudar a refletir sobre as questões que causam tanto medo e sofrimento.

Instituto Oncoguia - O bem estar e saúde emocional são importantes para um tratamento bem sucedido? Qual a razão?

Luciana Holtz: Sim! Precisamos olhar o ser humano de forma integral, e dessa forma todas as partes da vida desse paciente devem ser olhadas com atenção e muito cuidado. Não se pode desconsiderar o seu bem estar psicológico, espiritual, social, financeiro (...).

Instituto Oncoguia - E a oncologia está conseguindo ter esse olhar mais integral ao paciente?

Luciana Holtz – Sim e não. Acho que ainda temos que caminhar muito nesse sentido. Acompanhamos na prática que alguns centros de referência estão conseguindo fazer isso, mas vemos no dia a dia que há uma infinidade de desafios. Não existe na prática a tão falada equipe multidisciplinar, que discute o caso e toma decisões em conjunto. O psicólogo está bem pouco inserido nas decisões a respeito do tratamento do paciente. As pequenas e grandes decisões de um tratamento deveriam ser tomadas em conjunto. Mas ainda estamos muito na teoria...

Instituto Oncoguia - Mas o paciente deve ‘forçar-se’ a sentir-se bem o tempo todo? Deve buscar um argumento ao bem estar dentro de si, ou respeitar-se nos momentos de fragilidade?

Luciana Holtz: O paciente precisa estar preparado para falar: "Eu não estou bem, eu não consigo ser otimista o tempo inteiro”. E o outro, que convive no dia a dia, precisa respeitar isso. Ninguém consegue estar 100% bem o tempo todo. Todo mundo tem altos e baixos! Agora, é importante que o paciente fique atento aos sinais desse mal estar. "Opa, já faz um tempo que eu não estou bem...”. Sim, há que se cuidar para que um sintoma de sonolência mais exagerado e choro mais frequente não virem uma depressão. Uma coisa é o sofrimento ocasional, outra coisa é quando está se tonando algo fisiológico, que precisa ser tratado. Então, deve haver o monitoramento constante. A dor, o sofrimento fazem sim parte, mas com atenção, alerta e por que não, ajuda profissional?!

Instituto Oncoguia - E a que sinais de uma possível depressão o paciente precisa ficar atento?

Luciana Holtz: Sono em excesso, falta de apetite, vontade constante de ficar em casa ou na cama e de não ter contato com pessoas. Esses são os sinais em linhas gerais, mas podem variar muito. Têm pessoas que comem muito, por exemplo. É importante estar atento aos excessos ‘descarados’: muito sono, pouco sono, muito apetite, pouco apetite... E, aí, é o psiquiatra que deve entrar em cena. Pode haver a necessidade de terapia medicamentosa e, é claro, do acompanhamento com o psicólogo. De qualquer forma, a conversa com o oncologista sobre esses sintomas é sempre prioritária. O Onco pode inclusive indicar o psiquiatra.

Instituto Oncoguia - E como a família e os amigos podem ajudar na busca e manutenção da saúde emocional do paciente? E, também, o que ele deve fazer para não atrapalhar?

Luciana Holtz: A primeira coisa é não fugir. A família deve estar sempre por perto. Não precisa ter o que dizer o tempo todo... Mas, simplesmente, estar acessível. Tem gente que me pergunta: "Mas e se eu choro do lado dele? E se eu fraquejo do lado dele?”. Todo mundo tem medo de perder, tem medo de chorar. Então, se você não sabe o que dizer, fique ao lado, pegue nas mãos do paciente, ofereça os braços para um abraço terno. Fique à disposição e não suma. Não deixe que o seu próprio medo e preconceito interfiram no momento em que um amigo ou um familiar está precisando de você.

Instituto Oncoguia – E o apoio psicológico é importante também ao familiar?

Luciana Holtz: Também, e muito. Essa pessoa precisa se fortalecer, estar preparada para a batalha que vem pela frente. E é mesmo uma batalha! Tem muita coisa para ser compreendida. Por exemplo, é importante o familiar saber que a agressividade do paciente não tem nada a ver com ele. Não é uma questão pessoal. O paciente fica sim irritado e se você estiver perto dele, o alvo será você. Como lidar com isso, pensando que você também está sofrendo, também quer colo, também está com medo da morte dessa pessoa querida? É uma grande avalanche de sentimentos para lidar sozinho. Uma dica importante é que esse familiar não deixe a sua própria vida de lado... Que se cuide, que faça as suas coisas, que tenha o seu tempo.

Instituto Oncoguia - Na prática, o que sugere ao paciente de câncer de pulmão, no dia a dia, para manter a sua saúde emocional?

 

Luciana Holtz: A psicoterapia (em especial com psico-oncologista), eu reitero, é muitíssimo importante. Outras orientações são, se possível, continuar trabalhando e sentindo-se útil. Não dá para fazer as 8 horas diárias? Reduza carga horária, ou tenha uma atividade que o permita continuar sentindo-se útil. E não se afaste dos amigos! Vá ao jogo de futebol de sábado! Não dá para jogar? Mas encontre-os, torça por seu time, dê risada. Não dá para ir ao cinema às 20h, com a sala lotada? Vá à sessão das 14h que está mais vazia! Ademais, cuide da alimentação, faça uma massagem, acupuntura... Enfim! Faça coisas que o permitam sentir-se bem e que sirvam de alimento para a sua alma. Que música gosta de ouvir? Que tipo de leitura te traz emoções saudáveis? E tem gente que se sente bem em dividir a sua história, em compartilhar seus sentimentos. Nesse caso, faça parte de uma associação de pacientes, entre nas redes sociais, dê entrevistas para a imprensa... Isso pode fazer bem! Cuide muito de você!


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