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[Câncer de Mama] Marcia Correa

Aprendendo Com Você



Essa entrevista foi preenchida em 04/06/2018

Marcia Correa
  • Instituto Oncoguia - Quem é você? (idade, profissão, tem filhos, casada, cidade e estado?) Marcia -
    Olá, vou iniciar esta conversa contando uma parte da minha vida, ok? Tenho 51 anos, sou mãe de 2 adolescentes (com 14 e 15 anos) que cuido sozinha, em outubro de 2015 estava desempregada preocupada em encontrar uma nova colocação no mercado de trabalho, mas infelizmente não foi possível, encontrei um tumor no seio. Com muita confiança em Deus enfrentei o Sistema Público Saúde (SUS) para que não ficar nas mãos do sistema esperando por vagas para exames e consultas especializadas que todos os brasileiros sabem, é tudo muito demorado. Eu não tinha tempo para esperar por nada. Ok, consegui em fevereiro de 2016 estava com o resultado da biópsia nas mão. Assim, procurei o INSS e solicitei meu auxílio doença (tranquilo), recebi o benefício até 31/07/2017. Quando terminei as aplicações de quimioterapia e radioterapia perguntei a médica: - Como fica meu beneficio do INSS? Ela respondeu: - Volta a trabalhar você está ótima. - Saí daquele consultório vibrando de alegria. - Meu Deus, obrigada! Estou curada e pronta para viver novamente, tomar as rédeas da minha vida!!!!! Cheguei em casa, liguei o computador, atualizei meu currículo e disparei em todos os sites de busca de emprego. Só que não. Foram várias entrevistas, às vezes duas num mesmo dia, mas todas sem retorno, quando me perguntavam sobre o intervalo de 2 anos sem registro em carteira os entrevistadores se espantavam, admiravam e agradeceram pela minha presença me desejando boa sorte usando aquele jargão: - Não foi desta vez.
    Quando não comentei este intervalo e segui para o processo admissional, no exame médico admissional não foi possível deixar de falar sobre o tratamento, o exame de audiometria também me condenou pois fiquei com a audição prejudicada. Em uma outra oportunidade o gerente da empresa se mostrou disposto a me contratar mediante um atestado do meu médico dizendo que estou apta, RSRSRS. O Doutor atestou : - Encontra-se em tratamento devido a doença de CID10: C50.9 se submeteu a cirurgia na mama e axila, realizou químio e radioterapia, devendo manter cuidados específicos e evitar esforços com o membros superiores por tempo indeterminado. - Como uma empresa vai contratar uma pessoa que faz tratamento de câncer? Hoje faço parte daquele grupo " GUERREIRA" rsrsrs , estou bem não existe mais tumor ou metástase, faço hormônio terapia desde 08/17 e acompanhamento semestral com novos exames que graças a Deus comprovam o sucesso do tratamento, mas, a sociedade já me condenou. _ Sim, a sociedade me condenou, fico entre as entrevistas de emprego sem retorno e recursos para conseguir o benefício do INSS, nas entrevistas o retorno nunca chega, no INSS os peritos negam o benefício pois afirmam que estou em condições para exercer minhas atividades. Rsrsrsrs Enquanto isso, as contas, os avisos de corte chegam, os filhos com fome, eu num beco sem saída. Com a angústia e a tristeza me consumindo. Não posso me candidatar para as vagas de direito a cotas, nem em concursos públicos para vagas especiais pois os médicos não me incluem no cadastro de pessoas com baixa mobilidade, ou mobilidade reduzida, mas tenho que evitar esforços com o membro superior por tempo indeterminado. Rsrsrsrsrs Durante o período crítico do tratamento recebi um bilhete para uso do transporte público como passageiro com necessidades especiais válido por um ano, solicitei a renovação que também foi negada, mas no atestado o médico diz que devo evitar esforços nos membros superiores, (comparação: o surdo não tem necessidade física e tem direito ao mesmo bilhete!!!). Hummmmm, mas se eu tivesse "condições", receberia o direito de adquirir um veículo adaptado em condições especiais por motivo de mobilidade reduzida. Agora me diz numa situação parecida com a minha temos vários Pais e Mães de família, o câncer é uma doença que tem cura e a sociedade nos joga numa vala, o único direito que temos garantido por lei é o atendimento médico , "quando tiver vaga” e o impedimento da empresa de nos mandar embora "enquanto fazemos o tratamento”, estou apenas querendo uma oportunidade de trabalho para ter uma vida digna. Porque não somos incluídos no sistema de cotas? Porque as empresas não nos contratam? Ontem consegui 15 minutos de conversa com o Diretor do hospital que faço o tratamento, ele ouviu atenciosamente tudo o que estou escrevendo para você, e disse: - Concordo com você, mas nenhuma empresa contrata pessoas nas suas condições e nós do hospital não podemos fazer nada por você. Gostaria a partir desse relato conseguir a divulgação desta situação pois é uma causa nobre, não por que passo por ela, mas tenho certeza que temos vários casos iguais ao meu, em situação de dificuldade profissional por motivo do câncer e com direito ao benefício do INSS negado, algumas pessoas conseguem o benefício ou aposentadoria só depois de um processo judicial que por sua vez também é muito demorado, enquanto isso somos dependente da ajuda de pessoas caridosas como se fossemos incapazes mendigando, quase moribundos. Um abraço Marcia A. Correa


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