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[Tumores Cerebrais / Sistema Nervoso Central] Lays Livia Thomaz

Aprendendo Com Você



Essa entrevista foi preenchida em 28/11/2018

Lays Livia Thomaz
  • Instituto Oncoguia - Quem é você? (idade, profissão, tem filhos, casada, cidade e estado?) Lays - Tenho 25 anos, sou formada em Administração, tenho uma filha de 10 meses, namoro e moro em Campinas-SP.
  • Instituto Oncoguia - Como foi que você descobriu que estava com câncer? Lays - Após uma ressonância magnética que apontou uma alteração cerebral.
  • Instituto Oncoguia - Você apresentou sinais e sintomas do câncer? Quais? Lays - Sim. Em uma sexta-feira acordei indisposta, com uma dor de cabeça horrível e em uma semana havia perdido 80% dos movimentos do lado esquerdo, inclusive a fala. Na segunda-feira senti um espasmo seguido de uma dorzinha chata no braço, na terça-feira estava com fraqueza no braço também, na quarta a fala ficou enrolada, na quinta a perna foi perdendo força e na sexta já estava com os movimentos debilitados.
  • Instituto Oncoguia - Quais dificuldades você enfrentou para fechar o seu diagnóstico? Lays - Procurei um PS quando percebi que a fala estava enrolada, foi realizado uma tomografia e o médico me disse que não era nada, que os sintomas poderia ser devido ao pós parto (minha neném tinha 2 meses na época). Fui procurar outra opinião médica, foi realizado uma ressonância, após, já fiquei internada fazendo exames e mais exames.. O diagnóstico concreto levou cerca de 1 mês e meio, antes havia somente hipótese de um tumor cerebral.
  • Instituto Oncoguia - Como você ficou quando recebeu o diagnóstico? O que sentiu? No que pensou? Lays - Eu me senti aliviada por estar recebendo um verdadeiro diagnóstico depois de tantos dias de angústia e suposições. Foi realizado uma biópsia que confirmou ser um tumor maligno (astrocitoma grau II). Mesmo recebendo a triste notícia que eu havia um tumor cerebral, no momento só pensava que iria lutar contra essa doença, lutar com todas as minhas forças e não me entregar em nenhum momento.
  • Instituto Oncoguia - Qual foi a sua maior preocupação neste momento? Lays - Em não morrer e deixar minha filha.. E quais seriam os próximos passos.
  • Instituto Oncoguia - Você já começou o tratamento? Em que parte do tratamento você se encontra nesse momento? Se já finalizou, conte-nos um pouco sobre como foi enfrentar todos os tratamentos? Lays - No hospital, já na primeira internação iniciei tratamento com corticoide, que conteve a lesão e devolveu os movimentos, o desmame ocorreu após a biópsia. Fiz uso do medicamento aproximadamente 3 meses. Atualmente não preciso de nenhum tratamento como quimio ou rádio, faço acompanhamento com ressonância a cada 3 meses, afim de verificar se o tumor evoluiu ou não.
  • Instituto Oncoguia - Em sua opinião, qual é o tratamento mais difícil? Por quê? Lays - Não conheci outros tratamentos além do corticoide, mas esse único foi horrível. Engordei, fiquei muito inchada, não conseguia dormir e me sentia deslocada do mundo.
  • Instituto Oncoguia - Como foi/é a sua relação com seu médico oncologista? Lays - Meu onco é maravilhoso, sem palavras para ele. Desde o primeiro momento foi um anjo em minha vida.
  • Instituto Oncoguia - Você se relacionou com outros profissionais? Se sim, quais e por quê? Lays - Neurologista, foi ele que me deu o diagnóstico, realizou a biópsia e acompanha as ressonâncias junto com o onco. Fisioterapeuta, após a biópsia fiquei com paralisia no lado direito do rosto, então faço tratamento para superar isso. Otorrino, tive perda de audição do lado direito também após a biópsia. Após vários exames foi constatado perda definitiva.
  • Instituto Oncoguia - Você fez ou faz acompanhamento psicológico? Se sim, conte-nos um pouco sobre a importância desse profissional nessa fase da sua vida. Lays - Quando descobri sobre o tumor algum tempo depois desenvolvi crise de ansiedade e síndrome do pânico. Essa ajuda foi muito importante e essencial em todo processo, me ajudou a controlar todos os sentimentos, dúvidas e medos.
  • Instituto Oncoguia - Como está a sua vida hoje? Lays - Minha vida está maravilhosa, sou muito grata a Deus por tudo. Principalmente por poder estar acompanhando o crescimento da minha filha, por não precisar de tratamento e por ter conseguido enfrentar e continuar enfrentando, sem desacreditar por um segundo que fosse que tudo daria certo e está dando. Não há felicidade maior.
  • Instituto Oncoguia - Você continua trabalhando ou parou por causa do câncer? Lays - Estou afastada pelo INSS.
  • Instituto Oncoguia - Quais são seus projetos para o futuro? Lays - Continuar aproveitando cada segundo dessa nova chance que tive, acredito que nada é por acaso e se eu fui escolhida era porque precisava ver a vida com outros olhos e entender o porque de tantas coisas terem acontecido.
  • Instituto Oncoguia - Que orientações você daria para alguém que está recebendo o diagnóstico de câncer hoje? Lays - Que somos mais fortes do que imaginamos, aceitar e não se entregar achando que tudo está perdido. É uma fase, uma fase horrível mas que passa. Depois do câncer nasce uma nova pessoa, muito melhor que aquela antes do câncer. Nunca desacredite do que você é capaz e nunca pense nada negativo.
  • Instituto Oncoguia - Como você conheceu o Oncoguia? Lays - Através de pesquisas sobre o câncer.
  • Instituto Oncoguia - Você tem alguma sugestão a nos dar? Lays - Nenhuma, adoro o site.
  • Instituto Oncoguia - O que você acha que deveria ser feito para melhorar a situação do câncer no Brasil? Deixe um recado para os políticos brasileiros! Lays - Que seja mais divulgado e falado sobre o câncer.. Que tire o mito de que uma pessoa com câncer tenha uma sentença de morte. E ajude muito as pessoas que não tem condições para pagar um tratamento, que não as deixe morrer em fila de hospital sem ao menos saber porque está lá. Que dê a chance a cada um de lutar contra essa doença.


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