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[Câncer de Mama] Gisele Bicalho

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Essa entrevista foi preenchida em 07/07/2017

Gisele Bicalho
  • Instituto Oncoguia - Quem é você? (idade, profissão, tem filhos, casada, cidade e estado?) Gisele - Me chamo Gisele, tenho 31 anos, técnica em enfermagem, mãe de duas lindas meninas, casada e moro em Brasília/DF.
  • Instituto Oncoguia - Como foi que você descobriu que estava com câncer? Gisele - Descobri o câncer quando fazia tratamento de outro problema de saúde. Em uma tomografia de tórax já foi possível visualizar o nódulo na mama que eu nunca havia sentido.
  • Instituto Oncoguia - Você apresentou sinais e sintomas do câncer? Quais? Gisele - Havia um nódulo consideravelmente grande na mama direita, que eu nunca havia sentido no auto exame que fazia pelo menos 1 vez por mês. Era o único sinal do câncer e que eu não soube identificar.
  • Instituto Oncoguia - Quais dificuldades você enfrentou para fechar o seu diagnóstico? Gisele - Não teve nenhuma dificuldade, graças a Deus. Após a ecografia mamária já fui encaminhada para biópsia e após o resultado o médico já fechou o diagnóstico e encaminhou para o oncologista para iniciar o tratamento. Se tratando de SUS, foi tudo bem rápido.
  • Instituto Oncoguia - Como você ficou quando recebeu o diagnóstico? O que sentiu? No que pensou? Gisele - No momento, tentei me manter o mais racional possível. A família ficou mais abalada do que eu. O câncer adoece toda a família e essa era a minha maior preocupação naquele momento. Confiava na medicina e no tratamento sugerido pelos médicos. É claro que ninguém passa indiferente por essa doença, mas manter a calma é essencial. Pensei sim que poderia morrer e deixar minhas filhas ainda pequenas. Mas não deixei esse tipo de pensamento me colocar pra baixo. Usei a minha família e amor que eles tem por mim como combustível para seguir em frente nessa batalha.
  • Instituto Oncoguia - Qual foi a sua maior preocupação neste momento? Gisele - Me preocupava com a reação da minha família. Das minhas filhas e de meu marido. Não queria vê-los sofrer, e isso me atormentou nos primeiros momentos, mas depois me mantive confiante e tinha certeza que tudo daria certo.
  • Instituto Oncoguia - Você já começou o tratamento? Em que parte do tratamento você se encontra nesse momento? Se já finalizou, conte-nos um pouco sobre como foi enfrentar todos os tratamentos? Gisele - Meu tratamento foi o neoadjuvante, antão realizei 8 sessões de quimioterapia, sendo 4 vermelhas e 4 brancas, e recentemente fiz a mastectomia radical nas duas mamas, com reconstrução imediata. O tratamento não é fácil, exige muita força de vontade. Quando iniciamos o tratamento é que nos sentimos mais doentes, mas ele é extremamente necessário. Fundamental e indispensável!
  • Instituto Oncoguia - Em sua opinião, qual é o tratamento mais difícil? Por quê? Gisele - O mais difícil, pra mim, foram as quimioterapias. Foi quando me senti, de fato, doente. O câncer não havia mudado nada em mim, nem me trazido dores ou desconfortos. A quimioterapia sim. Mudou-me fisicamente e fez estragos no meu organismo.
  • Instituto Oncoguia - Você sentiu algum efeito colateral diante ao tratamento? Como lidou com isso? O que te ajudou? Gisele - Senti todos os efeitos colaterais e mais um pouco. Tive muita náusea e vômitos, muito cansaço e dores absurdas no corpo inteiro, principalmente nas costas e articulações. Os cabelos caíram 15 dias após a primeira sessão de quimioterapia, as unhas ficaram escuras e descolando dos dedos, muitas feridas na boca. Da cirurgia, a recuperação está sendo ótima, sem grandes problemas.
  • Instituto Oncoguia - Como foi/é a sua relação com seu médico oncologista? Gisele - Boa relação, não é tão acessível quanto eu gostaria, mas graças a Deus não tivemos problemas durante todo o tratamento.
  • Instituto Oncoguia - Você se relacionou com outros profissionais? Se sim, quais e por quê? Gisele - Mastologista maravilhoso. Atencioso, sempre pronto para me atender quando precisei, esclareceu todas as dúvidas sobre o tratamento. Cirurgiã plástica, também maravilhosa, muito humana, carinhosa e atenciosa. O resultado da mastectomia ficou perfeito. Ninguém diz que retirei as 2 mamas.
  • Instituto Oncoguia - Você fez ou faz acompanhamento psicológico? Se sim, conte-nos um pouco sobre a importância desse profissional nessa fase da sua vida. Gisele - Não houve necessidade, mas acredito que seja sim muito importante o apoio psicológico profissional. Não é um diagnóstico fácil de lidar.
  • Instituto Oncoguia - Como está a sua vida hoje? Gisele - Hoje me recupero bem da cirurgia e tudo indica que não vou precisar de radioterapia. Fiz a última químio à aproximadamente 2 meses, mas ainda sinto os efeitos no meu organismo. Hoje dou muito mais valor a coisas que não dava antes do câncer. A gente passa a enxergar a vida com outros olhos.
  • Instituto Oncoguia - Você continua trabalhando ou parou por causa do câncer? Gisele - Parei de trabalhar. Estou afastada à 7 meses.
  • Instituto Oncoguia - Você buscou seus direitos? Se sim, quais? Gisele - Afastamento do trabalho pelo INSS e auxílio doença.
  • Instituto Oncoguia - Quais são seus projetos para o futuro? Gisele -
    Ficar curada dessa doença pra sempre, voltar a trabalhar e ter a minha vida de volta. Viajar muito com meu marido e minhas filhas. Valorizando cada momento ao lado da minha família e poder ajudar as pessoas que também passam por essa doença. Pensando nisso, fiz um blog onde conto como passei por tudo isso da melhor maneira possível: Câncer de mama aos 30 anos
  • Instituto Oncoguia - Que orientações você daria para alguém que está recebendo o diagnóstico de câncer hoje? Gisele - Manter a calma, se apegar naquilo que tem fé, seja a religião que for e se não tiver religião, confiar apenas na medicina. Pensamento positivo, se cercar de pessoas amadas e lutar! Nunca desistir ou se entregar à doença.
  • Instituto Oncoguia - Como você conheceu o Oncoguia? Gisele - Através de blogs que encontrei na internet quando procurava informações, ao saber que estava doente. E agradeço ao Oncoguia, que me ajudou muito.
  • Instituto Oncoguia - Você tem alguma sugestão a nos dar? Gisele - Continuar sempre atualizando o site com informações e depoimentos de pacientes e familiares. Isso nos ajuda demais.
  • Instituto Oncoguia - O que você acha que deveria ser feito para melhorar a situação do câncer no Brasil? Deixe um recado para os políticos brasileiros! Gisele - Olhar para a população. Vi muitos pacientes em desespero por falta de medicação de quimioterapia, falta de equipamentos para realizar exames, falta de médicos. Uma pessoa com diagnóstico de câncer e sem recursos para se tratar, é desesperador!


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