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[Câncer de Mama] Daniela Pereira Magalhaes

Aprendendo Com Você



Essa entrevista foi preenchida em 19/10/2020

Daniela Pereira Magalhaes
  • Instituto Oncoguia - Quem é você? (idade, profissão, tem filhos, casada, cidade e estado?) Daniela - Meu nome é Daniela, hoje tenho 38 anos, um filho de 5 anos, vivo uma união instável e moro na cidade de Colatina-ES.
  • Instituto Oncoguia - Como foi que você descobriu que estava com câncer? Daniela - Estava acima do peso e resolvi mudar minha rotina de vida com uma alimentação mais saudável, exercícios etc. Emagreci 12 kg e nisso meu seio diminuiu junto com o manequim rsrs, foi quando vi um caroço no meu seio esquerdo, era bem visível, e a pele estava toda enrugada, achei estranho e procurei um médico. O mesmo que me atendeu disse que aquilo era normal, que era devido aos anos de anticoncepcional que eu tomava, e me mandou para casa, sem nem ao mesmo me examinar... Como sou muito teimosa, não me dei por satisfeita e no outro dia procurei auxilio de uma estudante de medicina (a cidade que eu moro é referencia em estudantes, e tem o hospital onde os mesmos prestam plantões, hospital escola que é chamado), e foi essa abençoada estudante que deu o diagnóstico. Na mesma hora ela chamou o professor dela que já me encaminhou para exames (ultrassonografia). No dia seguinte, na hora do exame, a médica que estava realizando o procedimento já me encaminhou direto para a mamografia, pois tinha constatado que tinha algo errado (só o primeiro médico que não via isso) e no outro dia já estava fazendo a biópsia. E no mesmo dia dos exames (28/082019), dias depois do meu aniversário, tive o diagnóstico: era Câncer... Eu fico pensando que se eu não fosse teimosa e tivesse aceitado o que "aquele" médico disse, como eu estaria hoje?
  • Instituto Oncoguia - Você apresentou sinais e sintomas do câncer? Quais? Daniela - Ultimamente eu me sentia muito cansada, mas achava que era por conta da mudança na minha rotina, em alimentação e exercícios, mas não era. Os médicos disseram que já era o câncer se manifestando, mas eu não tinha ideia...
  • Instituto Oncoguia - Quais dificuldades você enfrentou para fechar o seu diagnóstico? Daniela - Não tive dificuldades, pois graças a Deus como disse anteriormente moro numa cidade onde há um hospital universidade e eles agiram muito rápido.
  • Instituto Oncoguia - Como você ficou quando recebeu o diagnóstico? O que sentiu? No que pensou? Daniela - Quando recebi o diagnóstico, achei que era meu fim, pois minha mãe tinha falecido de câncer, e eu só pensava no meu filho de 5 anos. "Meus Deus, o que vai acontecer comigo? E meu filho, o que vai ser dele?" Eu era bem leiga no assunto e por uns dias fiquei bem deprimida, chorava o tempo todo e não acreditava no que estava acontecendo... Foi um dos momentos mais difíceis para mim..
  • Instituto Oncoguia - Qual foi a sua maior preocupação neste momento? Daniela - Minha maior preocupação era com meu filho de 5 anos, pois me separei do pai dele quando ele tinha apenas 3 meses de vida. (ele nasceu prematuro, e enquanto eu estava na UTIN com ele, o pai me traia fora do hospital) Passei muitas coisas, e sempre foi só eu e meu filho.
  • Instituto Oncoguia - Você já começou o tratamento? Em que parte do tratamento você se encontra nesse momento? Se já finalizou, conte-nos um pouco sobre como foi enfrentar todos os tratamentos? Daniela - Hoje já terminei o tratamento, estou em fase de muuuuuitoss exames, e muitas consultas, mas vou dar uma resumida de como foi: Começamos com a quimioterapia, pois tinha que diminuir para fazer a cirurgia (4,5 cm). Foram 4 sessões vermelhas (onde sentia muito enjoo, e meus cabelos caíram após 20 dias da primeira sessão), e 4 brancas (onde eu sentia mmuuuuitas dores, quase que insuportáveis). Essas sessões tiveram que ser interrompidas, ,pois tinha aparecido um nódulo na minha garganta também, ,e os médicos ficaram muito preocupados me enviando direto para cirurgia. Mas aí tínhamos outro problema a COVID-19. O medo de contrair a doença, já que o hospital abrange varias cidades, e tinha muito covid lá no momento. Mas mesmo assim foi feito a cirurgia. Com todos os cuidados devidos no dia 30/03/2020 às 15:30 hr, eu estava entrando na sala de cirurgia, e no dia seguinte as 11:00 hr me deram alta, pois não queriam me manter em contato com o hospital. Foi feito uma quadrantectomia e esvaziamento dos linfonodos total. Fui para casa com dreno, que fiquei com quase 30 dias. Após total cicatrização (que levou por volta de uns 3 a 4 meses) fui submetida a 18 sessões de radioterapia no seio e na axila. Atualmente faço sessões de fisioterapia para recuperar a movimentação do braço, vários exames e acompanhamento psicológico (algo que resisti por um longo tempo, mas que hoje vejo o quão importante está sendo para mim)
  • Instituto Oncoguia - Em sua opinião, qual é o tratamento mais difícil? Por quê? Daniela - Para mim o mais difícil foi a quimioterapia branca, pois eu sentia muitas dores e ainda as sinto até hoje, além disso, e no período que estava fazendo ela, peguei dengue e a situação só piorou. Os médicos disseram que vou sentir essas dores por um longo período e isso é bem incômodo.
  • Instituto Oncoguia - Você sentiu algum efeito colateral diante ao tratamento? Como lidou com isso? O que te ajudou? Daniela - Senti todos os efeitos colaterais kkkkk. A família foi essencial nesse momento. Todo carinho e força que me transmitiam ajudava muito e ajuda até hoje. Eu me permiti ser cuidada, coisa que era muito difícil para mim, pois sempre fui muito independente. Eles foram meu porto seguro e são até hoje. Acho que mesmo com todos os remédios que foram tomados, o que mais faz efeito é sentir o carinho e cuidado deles conosco.
  • Instituto Oncoguia - Como foi/é a sua relação com seu médico oncologista? Daniela - O oncologista que cuida do meu caso é muito profissional, bem seco, mas profissional. Ele é curto, grosso e não tem meio termo com ele, o que o torna um pouquinho desumano, pois nesse período estamos mais frágeis, mas por outro lado é bom pelo fato de sabermos exatamente com que estamos lidando. Já o mastologista, o cirurgião geral, e alguns outros, são uns amores....e da vontade de levar pra casa todos eles rsrs.
  • Instituto Oncoguia - Você se relacionou com outros profissionais? Se sim, quais e por quê? Daniela - Por todos os profissionais que passei foram eles:
    - Clinico geral: inicio de tudo
    - Mastologista: quem programou a cirurgia e me encaminhou para vários exames e para outros profissionais
    - Oncologista: quem receitou as quimioterapias e o acompanhamento com o Tamoxifeno
    - Cirurgião Geral: fez a cirurgia e me acompanha até hoje poie ele também é mastologista
    - Radiologista: quem encaminhou para as radioterapias
    - Fisioterapeuta: ajuda na movimentação do braço
    - Psicólogo: cuida da mente rs
    - Ginecologista: pois por conta disso tudo entrei em menopausa precoce
  • Instituto Oncoguia - Você fez ou faz acompanhamento psicológico? Se sim, conte-nos um pouco sobre a importância desse profissional nessa fase da sua vida. Daniela - Como foi dito anteriormente eu relutei um pouco, achava desnecessário, mas me arrependo muito de ter pensado assim. Hoje vejo o quão importante é o trabalho deles com a gente.
  • Instituto Oncoguia - Como está a sua vida hoje? Daniela - Hoje estou em processo de readaptação. Vou muitas vezes na fisioterapia, ao psicólogo e faço vários exames. Isso se torna bem cansativo, mas sei que é preciso.
  • Instituto Oncoguia - Você continua trabalhando ou parou por causa do câncer? Daniela - Parei de trabalhar após finalizar as quimioterapias vermelhas. Lutei contra isso também, pois não queria parar de trabalhar, mas teve um momento que não deu mais. Nessa época foi quando me pegaram deitada no chão... Então meu marido me fez sair. Ainda lembro das palavras deles "você não está lutando contra uma gripe", foi duro ouvir isso, mas foi onde eu me dei conta do que estava acontecendo.
  • Instituto Oncoguia - Você buscou seus direitos? Se sim, quais? Daniela - Busquei meus direitos pelo INSS, mas até hoje por conta da Covid, ainda não consegui. Aí dei entrada novamente, mas com advogada dessa vez.
  • Instituto Oncoguia - Quais são seus projetos para o futuro? Daniela - Não penso mais no futuro, vivo o hoje, cada dia por vez. Por conta de eu pensar tanto no futuro, nos " e se isso" ou "e se aquilo" que vivia em constante estresse. Acho que isso contribuiu muito na manifestação do câncer, já que a minha questão foi hormonal.
  • Instituto Oncoguia - Que orientações você daria para alguém que está recebendo o diagnóstico de câncer hoje? Daniela - Eu gostaria de estar presente para poder dar um abraço bem apertado e dizer que vai ficar tudo bem. Não vai ser fácil, não vou mentir, mas vai superar. Assim que essa minha correria acabar, quero fazer algo nessa área para poder ajudar as pessoas que talvez passarão pelo mesmo que eu, e se Deus quiser na hora certa eu vou saber o que fazer. Que Deus abençoe sua caminhada.
  • Instituto Oncoguia - Como você conheceu o Oncoguia? Daniela - Logo quando comecei o tratamento eu pesquisei muito sobre tudo e o Oncoguia sempre aparecia nas minhas pesquisas. Hoje estava procurando sobre as ondas de calor na menopausa após câncer, ai apareceu o Oncoguia novamente. Eu fico apaixonada com tanta informação. Parabéns pelo trabalho e carinho de vocês.
  • Instituto Oncoguia - Você tem alguma sugestão a nos dar? Daniela - Seria muita injusta se desse alguma sugestão, vocês são ótimos. Talvez quem sabe se vocês abrissem espaço para ex pacientes fazerem algo com vocês, para ajudar outras pessoas....
  • Instituto Oncoguia - O que você acha que deveria ser feito para melhorar a situação do câncer no Brasil? Deixe um recado para os políticos brasileiros! Daniela - Não tem como melhorar a situação do câncer, pois no momento que vivemos tudo está propicio a ele, é uma má alimentação, é uma falta de exercícios, e um estresse prolongado, tudo está ligado, mas tem como facilitar as coisas para os pacientes, como:

    -roubar menos e investir mais na saúde
    -exames com mais facilidade
    -acabar com essas longas filas de espera
    -investir mais nos nossos médicos e professores, eles merecem toda a atenção.
     
    Eu vou falar bem claro, eu tive "sorte" de estar no local certo com as pessoas certas, mas na minha jornada de tratamento conheci vários casos que faziam tratamento no mesmo hospital que eu, pessoas de outras cidades que estavam a mais de um ano esperando por um exame, uma consulta, é muito triste ver essas pessoas sofrendo e ninguém faz nada. O que me ajudou é que quando descobri, os meus exames iniciais foram todos particulares, minha família ajudou nisso, tinham exames que custaram mais de R$ 800,00, e com isso foi tudo agilizado. Infelizmente nem todos tem como fazer isso, e as autoridades tinham que rever algumas coisas em relação a isso também. Espero ter ajudado...


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