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[Câncer de Mama] Camila Dalla Pozza Pereira

Aprendendo Com Você



Essa entrevista foi preenchida em 11/09/2022

Camila Dalla Pozza Pereira
  • Instituto Oncoguia - Comece fazendo uma breve apresentação sobre você? (idade, profissão, se tem filhos, casado(a), onde você mora...) Camila - Meu nome é Camila Dalla Pozza Pereira, tenho 35 anos, sou licenciada em Letras e mestra em Linguística Aplicada (ambas formações pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP), não tenho filhos, sou divorciada, nasci e moro atualmente em Sorocaba, interior de São Paulo.
  • Instituto Oncoguia - Como foi que você descobriu que estava com câncer? Você apresentou sinais e sintomas do câncer? Quais? Camila -

    Em 2021 eu senti um nódulo na mama direita ao me coçar. Fui a minha ginecologista e como tenho histórico de cistos, ela pediu um ultrassom das mamas e axilas e fez um papanicolau. 


    Na época, eu usava um implante anticoncepcional há um ano. Por conta da pandemia, não havia feito ultrassom das mamas em 2020. Quando fui fazer o exame de imagem, o médico que o realizou disse que o nódulo não era nada. No entanto, o papanicolau deu-me "inconclusivo" e com chances de eu estar com lesões de HPV no colo do útero.


     Então, minha ginecologista me encaminhou a outro ginecologista para investigar essa questão. Este novo ginecologista também é mastologista e comentei com ele acerca do nódulo no mesmo dia em que fiz a colposcopia para investigar a possível lesão de HPV. 


    Ele me examinou e pediu um segundo ultrassom e me orientou a marcar com um médico específico do convênio, da sua confiança. No segundo ultrassom, o novo médico que realizou o exame já me disse que o nódulo era muito suspeito e me encaminhou para a mamografia e biópsia. 


    Na mamografia, o laudo afirma que "as chances eram baixas"; minhas mamas são densas e a mamografia não detectou a malignidade do tumor, que só foi detectada na biópsia.


  • Instituto Oncoguia - Você enfrentou dificuldades para fechar o seu diagnóstico? Se sim, quais? Camila - Enfrentei dificuldades sim, pois tive um câncer de mama considerado raro: carcinoma mucinoso. Talvez, por esse motivo, o médico que fez o primeiro ultrassom falou que não era nada. No fim, tive um carcinoma mucinoso Luminal B na mama direita. Na época do diagnóstico ele estava com menos de 2cm.
  • Instituto Oncoguia - Como você ficou diante do diagnóstico? Quer nos contar o que sentiu, o que pensou? Camila - Eu fiquei com muito medo e preocupada. Nunca pensei em ser diagnosticada com uma doença grave aos 34 anos de idade. Pensei que teria que parar minha vida para cuidar disso, pensei que poderia morrer sem fazer as coisas que queria fazer, pensei no sofrimento da minha família.
  • Instituto Oncoguia - Qual foi a sua maior preocupação neste momento? Camila - Morrer e sofrer, pois fiquei com medo de fazer quimioterapia, já que todas as imagens que eu tinha dela expressavam dor e sofrimento.
  • Instituto Oncoguia - Você já começou o tratamento? Em que parte do tratamento você se encontra nesse momento? Se já finalizou, conte-nos um pouco sobre como foi enfrentar todos os tratamentos? Camila - O primeiro passo do tratamento foi uma cirurgia conservadora da mama direita, realizada em setembro de 2021, que ocorreu com sucesso! O linfonodo sentinela deu negativo em seu rastreio. O pós-operatório foi muito tranquilo. O segundo passo foi fazer quatro sessões da chamada quimioterapia branca, realizadas entre outubro de 2021 e janeiro de 2022. Esta foi a pior parte, pois tive vários efeitos colaterais: cansaço e fadiga, intestino preso, gosto ruim na boca, perda de apetite, perda dos pelos do corpo e dos cabelos, inchaço. O terceiro passo foi fazer dezoito sessões de radioterapia, o que foi muito tranquilo. Tive poucos efeitos colaterais (mama vermelha e depois descascada; um pouco de incômodo na região). O quarto passo foi iniciar a hormonioterapia, com um comprimido diário e uma injeção a cada 28 dias. Fiquei com receio dos efeitos colaterais, mas o pior deles tem sido somente os fogachos de vez em quando. Depois, resolvi fazer, por conta própria, um teste de mapeamento genético e descobri que tenho a mutação BRCA1. Por isso, em breve, farei uma mastectomia bilateral com reconstrução mamária com prótese de silicone imediata e, em até cinco anos, farei a retirada dos ovários, trompas e talvez útero.
  • Instituto Oncoguia - Em sua opinião, qual é/foi o tratamento mais difícil? Por quê? Camila - A quimioterapia foi, sem dúvida, até o momento, a parte mais difícil. Tive vários efeitos colaterais: cansaço e fadiga, intestino preso, gosto ruim na boca, perda de apetite, perda dos pelos do corpo e dos cabelos, inchaço. Me sentia tóxica, suja e parecia que eu havia sido atropelada por um caminhão.
  • Instituto Oncoguia - Você sentiu algum efeito colateral do tratamento? Como lidou com isso? O que te ajudou? Camila - Na quimioterapia senti cansaço e fadiga, intestino preso, gosto ruim na boca, perda de apetite, perda dos pelos do corpo e dos cabelos, inchaço. O que me ajudou foi ser acompanhada por uma nutricionista especialista em pacientes oncológicos (ela formulou dietas para eu fazer antes e durante as sessões) e praticar atividade física.
  • Instituto Oncoguia - Como foi/é a sua relação com seu médico oncologista? Camila - A relação com a oncologista é próxima, de confiança e tranquila. Ela tem cuidado muito bem de mim, de uma maneira muito próxima.
  • Instituto Oncoguia - Você se relacionou com outros profissionais? Se sim, quais e por quê? Camila - Sim. Sou acompanhada por uma nutricionista especialista em pacientes oncológicos, por uma fisioterapeuta que é minha professora de Pilates e por um educador físico que é meu treinador de corrida, além da minha terapeuta. Ao ser diagnosticada, em minhas leituras, vi o quanto era fundamental manter uma alimentação saudável e praticar atividades físicas. Eu já praticava o Pilates e comecei a correr por orientação dos médicos e da nutricionista para tentar amenizar os possíveis efeitos colaterais da hormonioterapia.
  • Instituto Oncoguia - Você fez ou faz acompanhamento psicológico? Se sim, conte-nos um pouco sobre a importância desse profissional nessa fase da sua vida. Camila - Sim. Eu faço terapia há sete anos e, no momento do diagnóstico, mudei da linha Cognitivo-Comportamental para a Psicanálise e foi uma ótima decisão, que tem me ajudado muito. Eu não teria passado por esse processo do mesmo modo sem a terapia.
  • Instituto Oncoguia - Como está a sua vida hoje? Camila - Mudada. Não tem como passar por um câncer de mama e não mudar de vida, de pensamento, de olhar para a vida.
  • Instituto Oncoguia - Você continua trabalhando ou parou por causa do câncer? Camila - Como sou professora e fui diagnosticada em 2021, quando a pandemia do COVID-19 ainda estava preocupante, fui afastada pelo INSS por 10 meses e continuo nesse afastamento, já que serei operada novamente em breve.
  • Instituto Oncoguia - Você buscou seus direitos? Se sim, quais? Camila - Sim. Fui afastada temporariamente pelo INSS.
  • Instituto Oncoguia - Que orientações você daria para alguém que está recebendo o diagnóstico de câncer hoje? Camila - Respire. Respire de novo e fundo. É algo que vai te dar trabalho, exige muita paciência, mas confie em você, na medicina e na ciência e, se tiver alguma crença religiosa/espiritual, tenha fé que tudo vai dar certo. Cerque-se de pessoas que você ama e que te amam e, se der medo, vá com medo mesmo. A coragem é quando fazemos as coisas mesmo com medo. Busque informações em fontes confiáveis, como o Oncoguia, busque conhecimento, rodas de conversa e, se for possível, busque terapia! O acompanhamento de um nutricionista ou nutrólogo, além da atividade física, são importantes e essenciais. Faça o que te faz bem; distraia-se e não deixe o câncer te ter e/ou te definir.
  • Instituto Oncoguia - O que você acha que deveria ser feito para melhorar a situação do câncer no Brasil? Deixe um recado para os políticos brasileiros! Camila - Acredito que os políticos devem ser contrários ao rol taxativo da ANS e, além disso, creio ser fundamental que os pacientes oncológicos tenham estabilidade no emprego, de um ano pelo menos, ao voltarem do afastamento do INSS pois, infelizmente, são muitas as histórias de mulheres que são despedidas ao voltarem de um tratamento de câncer de mama, por exemplo. E provar que esta demissão foi discriminatória é custosa e demorada. Nesse sentido, é preciso assegurar ao sobrevivente do câncer uma estabilidade econômica/financeira por meio da manutenção em seu emprego e/ou reinserção no mercado de trabalho.


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