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[Câncer de Mama] Ana Cecilia Rodachinski

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Essa entrevista foi preenchida em 25/09/2017

Ana Cecilia Rodachinski
  • Instituto Oncoguia - Quem é você? (idade, profissão, tem filhos, casada, cidade e estado?) Ana - Tenho 47 anos, sou secretária executiva (no momento desempregada), solteira e sem filhos. Moro em Curitiba, no Paraná.
  • Instituto Oncoguia - Como foi que você descobriu que estava com câncer? Ana - Minha mãe teve câncer de mama e faleceu, 22 anos atrás. No mesmo ano em que ela morreu, comecei a fazer as mamografias preventivas, em função do meu histórico. Na mamografia de 2016, apareceu uma lesão não identificada, mas a ginecologista disse que não deveria me preocupar. Na mamografia de maio de 2017, a mesma lesão apareceu, agora com o dobro de tamanho. Levei os exames para uma mastologista, que solicitou a core-biopsia que confirmou um carcinoma ductal invasivo de grau 2 na mama esquerda.
  • Instituto Oncoguia - Você apresentou sinais e sintomas do câncer? Quais? Ana - Minhas mamas são densas e com muitos cistos benignos, então nunca cheguei a notar nada. Não sentia dor, e a única coisa que percebi foi a retração do mamilo, mas já quando aguardava o resultado da biopsia.
  • Instituto Oncoguia - Quais dificuldades você enfrentou para fechar o seu diagnóstico? Ana - O tempo de espera para o resultado da biopsia e depois a demora para liberar os exames de estadiamento da doença. Minha consulta com a mastologista foi no dia 6 de junho, só consegui realizar a biopsia no dia 24 de junho e o resultado foi liberado no dia 12 de julho. Os exames de estadiamento só ficaram prontos no dia 7 de agosto. Mas depois disso, foi tudo mais rápido.
  • Instituto Oncoguia - Como você ficou quando recebeu o diagnóstico? O que sentiu? No que pensou? Ana - Imediatamente pensei na minha mãe, e como foi doloroso acompanhar a doença dela. Fiquei com muito medo de passar pelas mesmas coisas e perder a batalha no final, como aconteceu com ela.
  • Instituto Oncoguia - Qual foi a sua maior preocupação neste momento? Ana - Num primeiro momento, a maior preocupação foi não conseguir me curar. Depois foi conseguir a liberação do plano de saúde para o tratamento, pois o contrato era recente e quase consideraram a doença como pre-existente. Mas felizmente isso não ocorreu, e a partir do momento em que consegui as liberações, tive certeza de que tudo iria dar certo.
  • Instituto Oncoguia - Você já começou o tratamento? Em que parte do tratamento você se encontra nesse momento? Se já finalizou, conte-nos um pouco sobre como foi enfrentar todos os tratamentos? Ana - Meu tumor é triplo negativo, então a minha oncologista optou por iniciar o tratamento pela quimioterapia vermelha. Já realizei duas aplicações e tenho mais duas. Depois, serão 12 sessões da quimioterapia branca e então a cirurgia. Realizarei um exame genético em breve, e se for comprovada a origem genética da minha doença, é muito provável a retirada de ambas as mamas, com reconstrução imediata.
  • Instituto Oncoguia - Em sua opinião, qual é o tratamento mais difícil? Por quê? Ana - Até o momento, está sendo a quimioterapia. É algo muito invasivo, que enfraquece muito o organismo. Mas o resultado compensa: após apenas duas sessões, meu tumor diminuiu muito.
  • Instituto Oncoguia - Você sentiu algum efeito colateral diante ao tratamento? Como lidou com isso? O que te ajudou? Ana - Na primeira aplicação da quimioterapia, os efeitos colaterais foram bastante amenos, um pouco de náusea, constipação, e um leve cansaço. Já na segunda, foram mais fortes, principalmente o cansaço. Nos primeiros três dias após a segunda aplicação, tive a impressão que meu corpo tinha passado por um moedor de carne. Demorei quase 10 dias para voltar a ter disposição para caminhar e realizar as atividades normais. Minha mastologista comentou que os efeitos colaterais tem efeito cumulativo na quimioterapia vermelha, então a cada sessão ficarei mais fraca. Mas que vou melhorar quando começar a quimioterapia branca. Tenho tentado me alimentar bem, com muitas frutas e legumes, e tenho evitado gorduras e comidas pesadas. Até agora não tive febre ou infecção alguma, embora a quantidade de glóbulos brancos esteja abaixo do normal. Meus cabelos começaram a cair na segunda semana após a primeira aplicação, então optei por raspar tudo. Foi tranquilo, não me chateei por ficar careca, embora sinta saudade dos meus cabelos. Inicialmente comecei a usar lenços, mas observei que as pessoas me olhavam estranho na rua, então comprei duas perucas.
  • Instituto Oncoguia - Como foi/é a sua relação com seu médico oncologista? Ana - Muito boa, eu me considero em ótimas mãos. Tanto minha mastologista quanto minha oncologista me passam muita segurança e se mostram muito interessadas no meu progresso. Sinto que elas compraram a briga comigo.
  • Instituto Oncoguia - Você se relacionou com outros profissionais? Se sim, quais e por quê? Ana - Consultei uma psiquiatra, para solicitar encaminhamento para tratamento psicológico, já que minha vida mudou muito desde o diagnóstico. Também tenho consultas agendadas com um geneticista e com uma nutricionista.
  • Instituto Oncoguia - Você fez ou faz acompanhamento psicológico? Se sim, conte-nos um pouco sobre a importância desse profissional nessa fase da sua vida. Ana - Vou iniciar as sessões de psicoterapia na próxima semana, e estou bastante animada com isso. Considero muito importante poder falar abertamente sobre a doença e sobre todo o contexto emocional gerado por ela.
  • Instituto Oncoguia - Como está a sua vida hoje? Ana - Desde o diagnóstico, minha vida mudou muito. Eu estava namorando quando soube que estava doente, e ele me abandonou logo depois. Ou melhor, foi se afastando aos poucos, talvez na esperança de que eu não fosse notar. Terminei o relacionamento pois já me sentia sozinha, e agora me sinto muito melhor. Optei por descansar o coração e só retomar minha vida amorosa após terminar o tratamento. Mas estou bem, de bem comigo mesma e comprometida com o tratamento. Pude me aproximar mais da minha família e dos amigos verdadeiros e agora tenho mais tempo para mim, para atender as minhas necessidades, pois sempre fui muito workaholic. Estou escrevendo um livro sobre a minha experiência com o câncer, o qual pretendo disponibilizar gratuitamente online, para ajudar outras mulheres com câncer de mama. Estou determinada a tirar o melhor proveito desta experiência e a aprender muito sobre mim e me aprimorar, para chegar ao final do tratamento uma pessoa melhor e mais feliz.
  • Instituto Oncoguia - Você continua trabalhando ou parou por causa do câncer? Ana - Eu estava desempregada há dois meses quando recebi o diagnóstico. Estava na etapa final de um processo seletivo para um emprego dos sonhos, mas desisti para me dedicar 100% ao tratamento. Não há nada mais importante que a minha cura agora.
  • Instituto Oncoguia - Você buscou seus direitos? Se sim, quais? Ana - Sim, fiz o saque do FGTS e solicitei o auxílio doença, cujo pedido foi deferido e me proporcionará uma tranquilidade financeira muito importante, que me ajudará a manter o foco no tratamento.
  • Instituto Oncoguia - Quais são seus projetos para o futuro? Ana - No momento só tenho um objetivo: conseguir a minha cura, e tenho a mais absoluta certeza de que isso vai acontecer. Depois disso, quero retomar a minha vida, voltar a trabalhar, a namorar e realizar uma viagem para um lugar paradisíaco. Daqui a um ano, me vejo curada, empregada e ao lado de uma pessoa maravilhosa. Enfim, me vejo feliz. E com cabelos!
  • Instituto Oncoguia - Que orientações você daria para alguém que está recebendo o diagnóstico de câncer hoje? Ana - Manter o pensamento positivo e o foco no tratamento é muito importante. Haverá momentos difíceis, mas é importante persistir. Afastar-se das pessoas que não lhe fazem bem e aproximar-se daquelas que realmente gostam de você (acredite, você vai saber quem são seus verdadeiros amigos). Acreditar que a cura vai acontecer e jamais desistir. Tentar manter uma vida normal, dentro das possibilidades.
  • Instituto Oncoguia - Como você conheceu o Oncoguia? Ana - Pesquisando na web sobre o tema câncer de mama.
  • Instituto Oncoguia - Você tem alguma sugestão a nos dar? Ana - Acho o portal excelente e muito útil, tem me ajudado muito. No momento, não tenho nenhuma sugestão de melhoria.
  • Instituto Oncoguia - O que você acha que deveria ser feito para melhorar a situação do câncer no Brasil? Deixe um recado para os políticos brasileiros! Ana - Tudo precisa ser melhorado. Quem depende da saúde pública, demora meses para conseguir agendar uma consulta ou um exame. Vi numa reportagem na TV, que pacientes com câncer aqui em Curitiba estavam esperado há quase um ano para realizar um exame de ressonância magnética, pois o equipamento do maior hospital público daqui estava quebrado! Há muito descaso com a saúde no Brasil e pessoas estão morrendo todos os dias por causa disso. É imprescindível elaborar políticas públicas que possibilitem aos pacientes com câncer acesso mais rápido ao tratamento.


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